Bem-vindo Cacimbo

Há anos que não ouvia tanta unanimidade na designação da estação do ano iniciada ontem em Angola, entramos no Cacimbo. Estou contente, nas rádios diz-se Cacimbo, nos textos que tenho lido também se escreve Cacimbo. Ficou a “frescura” do Inverno que nos estava quase a ser imposto pela burrice da nossa “elite glamorosa”. Agora espero que lá para Setembro voltemos a ter a Estação das Chuvas e não o Verão. Nunca vi gente fina mais obtusa.

Mas há outras expressões que espero que a escola ajude a repelir. Espero que os angolanos recomecem a dizer que alguém participou numa reunião e não de uma reunião. Que as pessoas passem a cumprir as suas obrigações e não a cumprir com as suas obrigações.

Este Cacimbo tem de ser suficientemente frio para gelar as manias em relação o vírus e voltem as relacionadas ao vírus.

Também espero que as coisas deixem de acontecer em meio à pandemia e aconteçam naturalmente neste período de pandemia. Não, não tenho nada contra os brasileirismos exagerados, tenho é contra os bandidos que rendem os guardas e sou a favor dos polícias que imobilizam ladrões.

A língua evolui, é verdade, algumas vezes até os conceitos, mas, ainda assim, sabe bem melhor ouvir que alguém foi a todas as casas em vez de ter ido a todas casas.

Os nossos heróis que deram a vida pela pátria estão bem melhor definidos do que nossos heróis que nada fizeram, afinal.

O Cacimbo já cá está, felizmente, as temperaturas começam a baixar, talvez o frio e a Covid-19 levem algumas pessoas as ler um pouco mais, a descobrir que uma sala de cinema não fica lotada, mas com a lotação esgotada. E que disto a gente não falamos, a gente fala, dos shoppings que deveriam ser centros comerciais, onde o Cacimo voltará a servir um sumo no lugar do suco, se o estado serológico do país permitir, porque se for o sorológico…

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