Confinamento em casa pode aumentar gravidezes, diz especialista

O especialista em ginecologista e obstetrícia Cláudio Cipriano revelou que há a probabilidade de se registar um aumento considerável de gravidezes devido ao confinamento social derivado da pandemia da Covid-19

Cláudio Cipriano, médico, declarou a jornalistas que a procura por consultas de genecologia nas maternidades e clínicas nacionais tem sido grande e constante, mesmo nesta época de confinamento.

Em seu entender, as angolanas já se consciencializaram sobre a necessidade de cuidarem melhor da sua saúde e estão a fazê- lo. “As maternidades estão constantemente cheias e as clínicas também, com consultas de genecologia”, frisou.

Para exemplificar a procura, contou que diariamente realizam entre 13 e 15 cesarianas em 12 horas de trabalho, o que considera ser um número considerável. Mas, ão especificou a quantidade de partos normais no seu local de trabalho, ainda assim, disse serem muitos.

Enfatizou que isto acontece numa época em que só estão a atender a emergências, pelo que supõe que se estivessem a fazê-lo em 24 horas a cifra ultrapassaria os 30 casos de cirurgias por dia. Cláudio Cipriano fez tais revelações, recentemente, numa conversa sobre a “Covid-19 na gestação”, realizada no Centro de Imprensa Aníbal de Melo, em Luanda.

Sobre este assunto, baseandose num estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS), afirmou que, apesar de a mulher grávida ter alterações nos órgãos, sistema de órgãos e a sua imunidade baixa, ela é considerada como qualquer um dos pacientes com Covid-19 em termos de probabilidade de infecção.

Segundo o médico, não foi verificada até ao momento transmissão de mãe para filho, mas continuam os estudos para se saber mais sobre o vírus.

Realçou que os estudos não detectaram, até agora, o vírus da Covid-19 em secreções, ou seja, no fluido vaginal, leite materno na placenta, no cordão umbilical, nem no líquido amitótico.

“Segundo a OMS, a mulher grávida, apesar de sofrer alterações nos seus órgãos, sistema de órgãos e baixar a sua imunidade, é considerada como qualquer um paciente com Covid-19 em termos de probabilidade de infecção”, revelou.

Entretanto, disse haver países, como o Brasil, que enquadraram todas mulheres em estado de gestação, de parto e do perpélio (período pós-gravidez) no leque de pessoas de risco.

Como medida de prevenção, disse que a mulher, ao amamentar, deve evitar acariciar a criança e evitar beijar o rosto do bebé. As orientações de lavar as mãos frequentemente e de higienizar o mamilo antes de amamentar devem, obrigatoriamente, fazer parte da sua rotina.

Cláudio Cipriano explicou que se a mulher grávida testar positivo e for assintomática pode amamentar, cumprindo as medidas de protecção, porque já se viu que o bebé não contrai Covid-19 pelo leite materno. Situação que deve ser alterada em caso de insuficiência respiratória grave.

Em caso de ocorrerem secreções na boca e no nariz, deverá usar sempre máscara e luvas para pegar o filho e ter uma bata especial para usar no momento de amamentar.

Cesariana em parturiente com Covid-19

Questionado se as mulheres com Covid-19 podem ou não ser submetidas a cesariana, o médico esclareceu que isso depende muito do seu estado de saúde.

Segundo o especialista, se for assintomática e não tiver qualquer problema respiratório pode, desde que devidamente analisada do ponto de vista obstétrico. Caso ela tiver uma pélvi compatível e não tiver nenhuma difusão, pode fazer o parto normal. Porém, se tiver uma insuficiência respiratória terá de fazer obrigatoriamente uma cesariana, porque o abdómem está aumentado.

Disse ainda que uma mulher que tem Covid-19 pode fazer o parto normal, dependendo do sintoma. “Se estiver com o sintoma que nós consideramos menos agressivo, como uma tosse leve, uma febrícula e sem dificuldade respiratória, vamos ver em que condições obstetras está, para que, se tiver uma pélvi compatível, tenha um parto normal”, disse.

O médico obstetra fez saber que a fase da gravidez mais arriscada para as mulheres, ante o vírus, é o terceiro trimestre, por ser neste período em que ela já tem algumas limitações e está mais susceptível a ter alguns problemas respiratórios. “Por exemplo, por causa da mudança que ela tem a nível do seu tórax, que não lhe permite ter grande amplitude de respiração”, explicou.

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