O renascer da certeza após exame de Covid-19

O anúncio de que entre os resultados dos exames de Covid- 19 feitos aos passageiros dos voos da TAAG provenientes de Lisboa nos dias 17, 18 e 19, e do Porto, no dia 21, todos no mês de Março, havia apenas um caso positivo, chegou como “lufada de ar fresco” para mais de mil cidadãos

Trata-se de pessoas que saíram dessas duas cidades para Luanda e que tiveram de cumprir um período de quarentena por desconhecerem, na sua maioria, se eram ou não portadoras do vírus que tem ceifado milhares de vidas humanas em todo o mundo.

“Agora, com o resultado, estou mais aliviada”, desabafou Edna Lopes, que regressara de Portugal, com todos os membros da sua família, depois de receber os resultados dos exames na Quinta- feira.

Além de tranquilizar a sua família, o resultado do exame serviria para levantar a ordem que a impedia de voltar ao serviço. “Já vou voltar a trabalhar e estar mais à vontade, porque esta situação dos assintomáticos deixou-me bastante preocupada. Saber que o resultado é negativo e que não vamos passar este problema para outra pessoa é de um alívio!” desabafou.

Considerou ser imperioso fazerse o teste para se ter a certeza de que, de facto, não se é ou se está assintomático.

A mesma opinião foi manifestada por Paulo Tomé, que compareceu na Escola Nacional de Saúde Pública para levantar os resultados do teste de dois filhos seus que regressam de Lisboa no vôo do dia 19 de Março.

Declarou, a OPAÍS que, passado mais de um mês, os ambos ainda se encontravam a cumprir a quarentena e só saíram de casa no dia que foram fazer o exame de Covid- 19.

Confessou que não estava a ser fácil para os filhos ficarem confinados por mais de 50 dias, por serem jovens, mas que aguentaram. Apela às pessoas a ficarem em casa, se não tiverem nada a fazer na rua.

Também comunga da ideia de que o atendimento para a entrega dos resultados melhorou consideravelmente em relação ao dia do teste. “Está bem organizado, comparando ao dia do teste, que foi uma confusão terrível, algo não programado”, frisou. Em entrevista a este jornal, a jornalista Sílvia João, que também foi buscar o seu teste, disse que, desde que chegou a Angola, observou todos os requisitos da quarentena domiciliar e aguardava apenas que fosse notificada para os testes.

Entretanto, disse-se contente por ter o resultado em mãos, mesmo sabendo de antemão que seria negativo, uma vez que a ministra já havia anunciado que os resultados daqueles viajantes que não tinham sido notificados seriam negativos, sendo o único positivo o cidadão do Hoji ya Henda.

Regresso arriscado ao trabalho

Sílvia João disse que apesar de ter chegado no dia 19 de Março, por questão de consciência, não se apresentou ao trabalho, preferindo cumprir a quarentena domiciliar e aguardar pelo exame e o seu resultado. Decisão que manteve, mesmo depois de tomar conhecimento de que alguns dos passageiros que viajaram na mesma altura regressaram ao trabalho passados 15 ou 20 dias.

“Eu não fui trabalhar por uma questão de consciência, porque estávamos sujeitos a chegar a uma altura em que se houvesse algum problema na empresa nós não saberíamos quem passou a quem. Penso eu que esse deveria ser o comportamento certo de todos os viajantes, mas, infelizmente, eu sei que isso não aconteceu”, frisou.

Disse saber de profissionais que foram trabalhar normalmente, não esperando pelos testes e pelos seus resultados.

“É assim: eu não posso apenas pensar só na minha saúde, tenho de pensar no próximo e nas outras famílias. Razão pela qual estive esse tempo todo parada. Agora, a partir de amanhã (Sexta- feira), vou começar a trabalhar”, disse.

Sílvia João reconheceu como eficiente o trabalho que se está a fazer na entrega dos testes. Mas, em seu entender, havia um aspecto negativo: as pessoas se encontravam sob um baixo um sol infernal a aguardar pela sua vez e tinham de lidar com alguns que invocavam ter prioridade, quando não reúnem os critérios estabelecidos para serem privilegiados.

“Muitos até não têm aspectos de terem prioridade e estão a furar e a receber os resultados dos testes. Isso é uma parte da organização que acho não ser agradável”, salientou.

Aproveitou a ocasião para apelar às pessoas que não fizeram o teste a fazerem, tendo em atenção que se trata de um vírus e, em muitos casos o organismo não manifesta os sintomas que sinalizam a sua presença.

“O que acontece é que essas pessoas estão arrastar muitas outras e a desgraçar às suas famílias. Se realmente são humanos e cristãos, tem consciente e crença em Deus não façam isso. É como se estivessem a matar a próximo”, apelou.

Resultado negativo não torna imune ao vírus

Por outro lado, Sílvia João pede às pessoas a manterem a calma e a seguirem as recomendações, uma vez que, tendo os resultados negativos, não significa que estejam imunes ao vírus. Edson Silva, por seu turno, manifestou a sua satisfação pelo resultado, embora não tivesse dúvidas de que não havia sido infectado, antes mesmo de ser examinado pelos técnicos de saúde angolanos.

A sua segurança devia-se ao facto de ter feito um teste antes de sair de Lisboa e repetiu em Luanda, por precaução, depois de cumprir o período de quarentena. Assinalou terem ocorrido melhorias de organização no dia de entrega do teste em relação ao dia do exame.

Desabafou que apesar de ter o resultado do teste que prova que está em condições de retornar às suas actividades laborais, sem qualquer suspeita de contaminar os seus colegas, isso não será possível, porque s empresa se encontra encerrada. No entanto, vai continuar a cumprir as medidas de prevenção e manter o distanciamento social.

Serafino Mutela disse que, infelizmente, não recebera o o comprovativo do teste que comprova que é negativo, por atraso na análise, mas estava tranquilo por lhe ter sido prometido que o receberia ainda ao longo da semana finda.

“Estou triste porque até agora não retomei o trabalho, porque a minha empresa está à espera desse resultado”, desabafou. Ele chegou no vôo do dia 18 de Março e até Quinta-feira, 14 de Maio, estava impossibilitado de regressar ao serviço por falta de comprovativo de que não estava infectado pela Covid- 19.

Considerou o cumprimento da quarentena como um acto de responsabilidade social e alerta as pessoas que vieram de países com infecção comunitária a cumprirem e a testarem, por precaução e amor ao próximo.

Saúde dos passageiros vai depender dos contactos que tiverem

O secretário de Estado para a Saúde Pública, Franco Mufinda, declarou, na ocasião, que se esperava atender um pouco mais de 1.000 passageiros dos voos dos dias 17, 18 e 19 Março, Lisboa-Luanda, e também os do dia 21 de Março provenientes do Porto.

O atendimento estava a ser feito por quatro mesas e por ordem alfabética e até à nossa retirada mais de 300 pessoas já haviam sido atendidas. Os comprovativos dos testes que tivessem falhas no nome, idade, género, entre outras, seriam corrigidos e os seus titulates aguardariam por novo contacto das autoridades.

Os exames foram realizados entre os dias 1 e 2 do corrente mês, pelo que, desta data em diante, asua saúde vai depender dos contactos de cada um o longo do tempo.

“Muito antes da colheita e, até mesmo no dia da colheita, quase todos foram negativos. O único caso no meio de pouco mais 1.000 pessoas é o “Caso 31”.

Agora, o comportamento das pessoas durante esse tempo é que vai determinar o seu estado de saúde”, salientou.

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