“Penso que é fundamental nestes momentos controlar as emoções desnecessárias e ser-se pragmático”

Artista plástico nascido em Portugal, fala da sua arte, da vivência, dos momentos inéditos em que subitamente o conceito do chamado efeito de aldeia global é materializado pela pandemia da Covid-19, que nos mudará muito a perspectiva de viver e como valorizamos e lutamos pelas reais prioridades da vida

O artista plástico, Miguel Barros, afirmou que a Cultura em tempos de crise como esta que está a assolar o planeta, tem por si só um efeito desconhecido no que acontecerá “amanhã” na visão e implementação da Cultura dos povos.

O artista admitiu que são períodos difíceis e de grandes conturbações das sociedades onde a Cultura se torna numa espécie de tábua de salvação de todos, em que a arte passa a ser de uma grande importância para se ter forças de aguentar o peso da realidade, o que no seu entender acontecerá nas mais diversas área e abordagens, e tradições de qualquer expressão artística.

“Vivemos momentos inéditos em que subitamente o conceito do chamado efeito de aldeia global é materializado por esta pandemia que nos mudará muito a perspetiva de viver e como valorizamos e lutamos pelas reais prioridades da vida”, disse.

O artista apelou à classe, aos apreciadores de arte e à sociedade a controlar as emoções desnecessárias e ser-se pragmático, e ter sempre presente que o futuro próximo será muito melhor.

Disse ainda sentir e ter constatado na sua experiencia de vida, que através da Cultura, consegue- se criar uma linguagem universal do ser humano, de comunicação e acção, na promoção do valor real do individuo e de cada pessoa na sua essência no mundo; da sua importância única e exclusiva como promotora de qualidade de vida de todos, por todos e por cada um, uma vez que a Cultura provoca essa sensibilidade de responsabilidade e respeito pelo próximo!

Indagado quanto ao Estado de Emergência decretado, assim como a observância das medidas de prevenção contra a Covid- 19, sobretudo no que ao distanciamento social diz respeito, o artista adiantou que vive este momento com grande preocupação, muito atento e sem alarmismos.

“Faço questão de informar-me exclusivamente através de fontes oficiais fidedignas que não divulguem “fake news” e que sejam factuais”, argumentou Miguel Barros, acrescentando que tem estado muito atento à realidade factual, não se deixando levar por realidades inventadas e polémicas, que acabam por influenciar bastante o nosso dia- a – dia com grande angústia e uma preocupação absurda por se ter dado ouvidos a noticias falsas!

Recordou que na sua perspectiva para preocupação já lhe chega a realidade do que se passa, porém nunca perdeu a esperança que o dia de amanhã nos trará boas noticias e assim, todos juntos faremos com que o mundo se encarrile.

Melhor.

“Tiremos toda uma lição do que de facto é importante na vida e quais as prioridades que pretendemos elevar como as essenciais em nós com efeitos nos outros!”.

A Quarentena

Já no que se refere à quarentena, onde o artista disse estar há aproximadamente um mês sem sair de casa, referiu que tem tentado manter as rotinas do dia-a-dia, fazer tudo o que era banal do dia, em casa, como se estivesse num recolhimento só para conhecer;se melhor e ponderar profundamente tudo o que tem sido a sua vida, e o que deseja que venha a ser!

Realçou que tem feito tudo para criar e manter regras normais que o mantenham estruturado, cumprir com o seu tempo de trabalho assente na pintura, pensar em projectos futuros e noutras oportunidades que o futuro lhe trará.

De acordo com o artista, “pensar sempre no futuro, criar projectos de vida, sejam quais forem, é fundamental ter objectivos e sempre um propósito na vida, o que na sua óptica é o caminho que tem feito nos seus dias em que está confinado em casa como todo a população mundial, a respeitar totalmente as directrizes das autoridades sem nunca vacilar!

Emoções

“Penso que é fundamental nestes momentos controlar as emoções desnecessárias e ser-se pragmático, e ter sempre presente que o futuro próximo será muito melhor que o da de hoje. A minha obrigação é não desistir, nem entrar em pânicos desnecessários que só prejudicam a boa vontade e o desejo de que tudo irá correr bem!”, avançou o interlocutor.

Incentivo às artes plásticas

O artista desafiou a classe, o público apreciador das artes plásticas e a sociedade a não desistirem da importância que as artes plásticas têm nas sociedades nos tempos cruciais em que quase se perde a esperança.

“As artes, seja qual for a expressão delas, ajudam- nos a suportar as difíceis realidades da vida e por vezes, o olhar para uma pintura, ler um poema, ouvir uma música, esse momento que pode durar um minuto e pode-se transformar numa eternidade de bem-estar e de esperança; de saber que o sonho e a vontade de se querer, existe e não morre nos piores momentos da vida!

“A arte tem essa coisa estranha de fazer voar no seu imaginário a quem a contempla e se deixa levar nessa fantasia, que acaba por ser a beleza do belo da alma e do espírito que nos eleva para além de uma ou de qualquer pesada realidade da vida”!

Plataformas digitais

A opção pelas plataformas digitais tornou-se desde então, para o talentoso artista, um grande veículo para promover o seu trabalho, que apesar de tudo, tem sido um processo muito interessante nesta fase, que veio para ficar e dar definitivamente uma enorme abordagem no que a divulgação da Arte e da Cultura diz respeito.

Miguel Barros salientou que tem realizado exposições um pouco por todo o mundo, em consequência da Internet e contactos virtuais que se tornam reais e o futuro!

Nesse aspecto, acrescento, o conceito de aldeia global tem tantas coisas positivas, de num clique estarmos nos antípodas de nós a realizar e a fazer parte duma galeria de arte como artista residente.

“Gosto muito destas abordagens tecnológicas e sem dúvida alguma, repito que é o futuro nas relações entre todos. Continuo sempre a utilizar a Internet para estar em constante contacto com o meu “mundo” das artes! E quase todos os dias trocamos algumas mensagens e conversas, tanto pelo facebook como qualquer outro tipo de comunicação de acesso das plataformas virtuais”, afirmou.

Miguel Barros disse gostar muito deste conceito por não incluir barreiras nem preconceitos entre países e povos, pelo que congrega um sentimento de liberdade, de uma grande democratização das pessoas no que as virtualidades diz respeito.

“Há muita gente que prefere sempre o pior para tratar mal os outros”.

O artista

Miguel Barros nasceu em Lisboa, em 1962. Estudou no IADE, onde completou o Bacharelato em Design de Comunicação, em 1984. Foi responsável pelo Design de diversas peças da Vista Alegre, realizando igualmente edições de Serigrafia para a Technal e Chicco. A Pintura acaba por se tornar a sua única actividade, tendo participado em mais de 4 exposições colectivas e algumas exposições individuais de relevo.

Está representado em diversas colecções públicas e privadas, tanto em Portugal como no estrangeiro, nomeadamente em Espanha, França, Alemanha, Índia, Moçambique, Angola, Noruega, Reino Unido, Brasil e EUA.

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