Perfeito? Talvez

Assinala-se hoje o dia do Whisky. Quem gosta dele tem razões para brindar. Mais ainda quando a televisão recomeça a mostrar jogos de futebol, com as reaberturas de alguns campeonatos europeus, como o da Alemanha. É o regresso do homem que gosta de ir à bola, embora agora no sofá de casa e sem os amigos para abrir uma quantas.

Outro ingrediente da bola, no entanto, não faltou ontem, no regresso. Os palavrões ditos em campo, reporta a imprensa internacional, foram perfeitamente audíveis, sem o véu abafador dos palavrões das claques. Portanto, para quem aprecie a “bebida da vida”, hoje pode ter o seu pequeno desconfinamento psicológico, mas sem palavrões em casa, por causa das crianças. Pode ter um dia quase perfeito.

Um disfarce perfeito tem, no entanto, sempre o seu dia imperfeito, como aconteceu com o genocida do Rwanda, ontem, em Paris. Félicien Kabuga andou décadas a fingir que não era ele, hoje não terá nem futebol, nem whisky. Está a entrar na ressaca do sangue que fez correr há décadas no Rwanda. Palavrões contra si de certeza que haverá muitos. Talvez daqueles que um angolano grita a bom som contra um cidadão chinês que o angolano diz não merecer viver em Angola por ter filmado uma sessão de pândega. Talvez a sessão estivesse a ser um dia perfeito para furar as restrições impostas pelo estado de emergência, talvez apenas, porque os relatos que correm as redes sociais dizem que aquilo acabou mal. E não sei de algum chinês que reunisse tanta solidariedade de angolanos numa só manhã. O problema não está na nacionalidade, está nas pessoas. E se alguém puser o povo a escolher quem deve ser expulso de angola, olha, não sei não…

Mas hoje é Domingo, um dia que pode ser perfeito, mesmo para quem não toque em whisky basta não ofender a autoridade, não dizer palavrões em casa ao ver futebol, sobretudo se a senhora for daquelas que acham as panelas muito leves e, atenção, kung-fu não é coisa só de cinema.

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