A vida pós-desconfinamento

Temos estado todos expectantes, novos focos da pandemia de Covid-19 alastram, o vírus passou agora para os Estados Unidos e o Brasil com números galopantes todos os dias, Bolsonaro já não diz tratar-se de uma “gripezinha” e Trump assegura que antes do fim do ano haverá uma vacina.

Nós por cá vemos novos negócios a surgir, a exemplo a venda das máscaras de tecido e a comercialização de álcool gel. As máscaras estão a atrair muitos vendedores pois podem conseguir entre 400 a 8 mil kwanzas por dia comercializando- as entre 100 a 200 kwanzas, os fornecedores são os alfaiates do mercado do Kikolo.

A venda de sabão azul e branco também disparou e não há cantina que não tenha o balde adaptado com uma torneira e o sabão para que possamos lavar as mãos.

As pessoas vão paulatinamente adaptando-se e tendo consciência de que este será o nosso novo normal.

Contudo o que preocupa muitos de nós é a incerteza do desconfinamento, falta-nos mais uma semana de Estado de Emergência e temos visto um aumento da capacidade dos transportes, o alargamento de funcionamento a outros estabelecimentos que não de alimentos e até o beneplácito de regresso às suas funções das auxiliares do lar, mas e pós Estado de Emergência como será? Tendo presente que os números apresentados ainda não têm o resultado da amostra comunitária, pois como explicou o Sr. Secretario de Estado para a Saúde Pública não se fazem testagens aleatórias mas sim seleccionam-se indivíduos que constituirão a amostra.

Iremos adoptar as estratégias dos outros países que tentam regressar à normalidade e deixar que sejam os pais a decidir se as crianças com menos de 6 anos voltam à creche? Direccionar as escolas para que se cumpra um distanciamento de 2 metros entre alunos nas salas de aulas, assim como a proibição de que se cruzem entre corredores? E será que todas as unidades de ensino conseguirão cumprir a directriz?

Iremos igualmente proibir eventos musicais com mais de 100 pessoas ou impor distanciamento na restauração optando por privilegiar o consumo em esplanadas?

Continuaremos a considerar obrigatório o uso das máscaras e a ida aos cabeleireiros e esteticistas com marcação prévia?

E os informais deverão continuar a trabalhar só de terça a sábado com higienização dos mercados? E os “formais” render-se-ão ao teletrabalho e à rotatividade presencial como forma de garantir uma melhor gestão empresarial?

Como será a vida pós desconfinamento, quando a OMS vem dizer que afinal de contas o continente africano poderá não ser tão fustigado como inicialmente previsto e até há casos de países que conseguiram curar os seus pacientes com recurso à medicina natural, mas que não tem o mesmo impacto do que algum laboratório patenteado que faz rios de dinheiro…

Talvez Trump e Bolsonaro devam pedir ajuda ao presidente malgaxe…. Talvez nós devêssemos olhar para as nossas especificidades afinal o pensar é global, mas o agir esse deverá ser local…

Kâmia Madeira

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