Cabrão do primo Tito

As pessoas pensam que estabelecer compromissos sociais é fácil. Não é assim tão linear. Minto: para um alemão ou um suíço, nada daí advém como empecilho. O alemão diz que o encontro é às tantas horas no lugar X para falarmos do negócio tal. E o encontrarás lá, à hora combinada, no lugar indicado. O suíço chegará cinco minutos antes da hora marcada.

Os relógios suíços, minto, os donos dos relógios suíços, quando são suíços, ajustam-nos para menos. Um relógio suíço no pulso de um suíço é outra coisa. No pulso de um mwangole, por exemplo, é só mais um enfeite. Um acessório da bangologia.

Com o seu relógio suíço, marca um encontro de negócios para as 10:00H, só aparece às 12:30H e com um arsenal de justificativas. Como:

– O trânsito, wei, está um inverno!!! -E o teu telemóvel também ficou engarrafado? – Podias ao menos telefonar… – Tens razão, wei, pago o almoço, é a multa. – Mano! Tempo é dinheiro, chegas atrasado, e se calhar também estás atrasado nos assuntos que combinamos tratar.

Uma semana depois, descobre -se que naquele dia o sujeito havia dormido num num motel, bem escoltado, obviamente, e aviou -se de enormes quantidades de água vivificante. Ao sair, estava atrasado, não teve tempo de matabichar. Chega ao encontro e no que pensa é no estômago. Está explicado.

Aconteceu -me muito tempo atrás. Marquei com o meu primo:

– Mano grande (referia-se a mim),sabe assuntos -segredo, é melhor não ser em casa do primo, a mãe vai nos colar. -Certo, bem pensado. -Aprendi mano grande, ouvido de mulher fura parede. (ahahahaha!!! ).

Da combina havida ficou agendado que o encontro aconteceria no sábado mais próximo. No sábado combinado, o telefone desligado. Depois de horas a tentar sem resultado liguei para a mulher (dele). Não conseguia disfarçar a minha raiva:

– O Tito? -Tito, aqui? Hoje sábado? Não conheces a tua família. São todos homens sem categoria. Aqui em casa já nos habituamos, almoço, sozinha, com os miúdos e as miúdas. Até posso pôr um homem aqui em casa, o Tito não irá de saber.

Bastou o sermão da mulher do Tito. Para perceber que ele, indistintamente, é capaz de bugar a gregos e troianos ao mesmo. Sobretudo aos sábados. Conformado, liguei a televisão, que estava a passar um jogo de grande cartaz do girabola no exacto momento em que uma das equipas acabara de enfiar um golo. (goooooooo, goooooooo, gooooolooo!!! O narrador bastante extasiado).

A câmara captava a euforia dos adeptos da equipa que acabara de mar. Foi neste momento que no écran apareceu o cabrão do Tito, em ponto grande, a festejar e com uma moça à tiracolo. Que não era a minha cunhada. Obviamente. Eu acabara de falar com a mulher do Tito.

Kajim Bangala

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