Covid-19 dá pausa de 72 horas a Angola

Nas últimas 24 horas não foi confirmado caso novo da Covid-19 no país, mantendo-se, assim, os 48 casos registados, dos quais 21 de transmissão local, dois resultaram em óbito e 17 foram recuperados, informou, ontem, o secretário de Estado para a Saúde Pública, Franco Mufinda

Em declarações à imprensa, na habitual conferência de actualização dos dados sobre a pandemia no país, no Centro de Imprensa Aníbal de Melo, em Luanda, ontem, Mufinda esclareceu que o estado clínico dos 29 pacientes é estável. O secretário de Estado para a Saúde pública disse que na actividade laboratorial foram processadas 6.500 amostras, das quais 48 positivas, 5.947 negativas e 505 se encontram em processamento.

Por outro lado, explicou que de casos suspeitos há um acumulado de 441 e a quantidade de pessoas sob vigilância directamente seguidas ou de forma ocasional chega a 1.111.

Franco Mufinda disse que se encontram em quarentena institucional 790 pessoas. Entretanto, nas últimas 24 horas 18 pessoas receberam alta em todo o país, sendo oito no Uíge, cinco em Cabinda, duas no Bié e Cunene, respectivamente, e uma na Lunda- Sul.

Dos infectados, 21 são casos de transmissão local e os demais importados, envolvendo angolanos e estrangeiros.

O Centro Integrado de Segurança Pública registou 70 chamadas, das quais quatro denunciando violação do estado de emergência e 66 foram pedidos de informação sobre a Covid-19.

Durante o período em referência, foram realizadas actividades de senilização da população sobre as medidas de prevenção da Covid-19, actualização dos técnicos no capítulo da vigilância epidemiológica e gestação de casos e a desinfecção de locais públicos nas províncias do Bengo, Cuanza- Norte, Cabinda, Huíla, Cunene e Zaire.

Mufinda alerta as pessoas de que os hospitais estão abertos e mantêm os serviços essenciais nesta fase em que o mundo se encontra, de prevenção e combate à Covid- 19.

Segundo o governante, além da Malária pode haver outras doenças que cruzem com a Covid-19, como a Chikungunya e a Dengue. Razão pela qual urge a necessidade de cada cidadão tomar as medidas básicas como sanear o meio, fazer uma boa gestão dos vasos com plantas e tanques de água que acabam por ser o habitat dos mosquitos.

Quanto às medidas de protecção, realçou a permanência das pessoas em casa, o uso de máscara em locais indicados, a observância do isolamento social, a lavagem das mãos frequentemente com água e sabão e o cumprimento das medidas relativas ao estado de emergência.

MININT penitencia-se sobre excessos das forças de defesa e segurança

O porta-voz do Ministério do Interior, subcomissário Waldemar José, disse, ontem, em Luanda, lamentar a agressão, com o uso de um cinturão, perpetrada por um efectivo das Forças Armadas contra um cidadão.

Apesar de desconhecer as causas de tal acto, o oficial comissário da Polícia Nacional citou a conduta como sendo reprovável e que não representa a tipologia de comportamento e o grau de disciplina empregues pela instituição.

“É importante referir que as Forças Armadas são das instituições do país que primam pela salvaguarda de bens jurídicos e essenciais como a disciplina e a hierarquia”, desabafou. Acrescentou de seguida que “é das instituições em que o comportamento do seu efectivo deve ser ao mais alto nível e louvado. Por tratar-se de um acto isolado, estão agora decorrer diligências para a identificação do efectivo e para a sua responsabilização”.

O director do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa do Ministério do Interior declarou, ao apresentar o balanço das forças de defesa e segurança no âmbito da prevenção e combate à Covid-19, que não há nenhuma orientação do mais alto nível, começando pelo Presidente da República, e até ao nível da hierarquia mais baixo, qualquer orientação para o emprego de violência contra cidadãos.

Mas Waldemar José lamentou, por outro lado, haver cidadãos que adoptam condutas reprováveis e que motivam, aparamente, o uso da força. Disse que nunca se viveu no país um estado de emergência e este está a ser uma aprendizagem para todos, inclusive para as forças de defesa e segurança. “Cometemos erros sobejamente conhecidos e hoje, até com o advento das redes sociais. O cidadão tem a capacidade de filmar e disponibilizar essas imagens, mas nós, as forças de defesa e segurança, estamos a aprender com os nossos erros”

Declarou que “esses erros, que, infelizmente, culminam com a perda da vida de cidadãos, nos comprometemos a superá-los e a corrigir nos nossos procedimentos no futuro”. Apelou também ao compromisso por parte do cidadão no acatamento e obediência às orientações emanadas. Salientando que todos os efectivos que cometem erros serão levados a julgamento.

Agressores de chinês causam danos de mais de 70 milhões de kwanzas

Waldemar José lamentou também o sucedido no “Condomínio Vereda das Flores”, em Luanda, em que cidadãos violaram a disposições previstas no Decreto Presidencial de medidas de prevenção e contenção da pandemia Covid-19.

Há poucos dias correram vídeos nas redes sociais em que se vê um cidadão angolano a partir o carro do seu vizinho de nacionalidade chinesa no Condomínio Veredas das Flores”.

Contou Waldemar José que o cidadão chinês sentira-se incomodado com o volume da música, em plena madrugada, e foi simplesmente pedir aos angolanos em convívio que baixassem a música, mas o cidadão chinês foi agredido.

E como não lhes bastou, um cidadão angolano saltou o muro da casa do chinês. Segundo o subcomissário, este acto constitui crime de invasão de propriedade.

Disse que o invasor tentou agredir o chinês, mas este, por sorte, tinha mais alguns compatriotas em casa e que não permitiram que a agressão continuasse o seu curso.

Disse ainda que os angolanos arrombaram a porta da casa do cidadão chinês e depois houve um equilíbrio de forças. “O senhor fez recurso a uma carrinha para embater contra outros carros que são propriedade desse cidadão chinês. É um comportamento reprovável que nos envergonha a todos e não é característico do povo angolano”, realçou.

Salientou ainda que “nós compreendemos que estamos confinados há mais de 50 dias e isso está a criar uma pressão, não só ao cidadão comum, como também às forças de defesa e segurança, mas temos de manter a calma, porque se adoptarmos esse tipo de conduta vai ser a lei do mais forte.”

Fez saber que por causa dessa conduta, os cidadãos angolanos estão a ser responsabilizados criminalmente, já que causaram danos superiores 70 milhões de kwanzas. Disse que os mesmos terão de reparar os danos porque há um processo-crime que irá até ao tribunal.

“Queremos dar garantia a toda comunidade chinesa de que não haverá qualquer acto de revanche, fiquem descansados. E isso serve para toda a comunidade estrangeira”, frisou.

Por outro lado, revelou que um cidadão foi apanhado a tentar camuflar alguns reagentes num caminhão contentorizado como se de outra mercadoria se tratasse, com um total de 77 caixas que foram apreendidas, saindo Zaire para Luanda.

“Está agora a decorrer uma investigação para determinar como é que esse cidadão conseguiu os tais reagentes e para que efeito os traria cá para Luanda”, disse.

error: Content is protected !!