Ex-aliada compara Bolsonaro a Estaline e teme prejuízo da “verdadeira direita”

Janaina Paschoal ganhou notoriedade no Brasil, após ter sido umas das autoras do pedido de destituição contra a ex-Presidente Dilma Rousseff. Agora há quem a aponte à presidência em 2022.

A deputada do Partido Social Liberal (PSL), Janaina Paschoal, ex-aliada do Presidente brasileiro, comparou Jair Bolsonaro ao ditador soviético Estaline, afirmando que o ‘bolsonarismo’ pode “manchar a honra e a credibilidade da verdadeira direita”.

Em entrevista à agência Lusa, a advogada e professora Janaina Paschoal, deputada mais votada na história do país no sufrágio de 2018, elegeu-se pelo PSL, a anterior formação política de Jair Bolsonaro, mas teme que o fenómeno ‘bolsonarista’ prejudique a direita do país.

“Sinto que esse fiasco ‘bolsonarista’ pode manchar a honra e a credibilidade da verdadeira direita. Eles [apoiantes de Bolsonaro] são muito mais parecidos com a esquerda do que com uma verdadeira direita. Bolsonaro lembra-me Estalin. Já na convenção do PSL, eu avisei que ‘bolsonaristas’ poderiam ser ‘petistas’ [do Partido dos Trabalhadores] com sinal trocado”, afirmou a deputada, sem aprofundar as comparações com o ditador soviético.

Janaina Paschoal ganhou notoriedade no Brasil após ter sido umas das autoras do pedido de destituição (‘impeachment’) contra a ex-Presidente Dilma Rousseff (PT), afastada do cargo em 2016, após o congresso ter concluído que cometeu crime de responsabilidade, por alegada falsificação das contas públicas.

Actualmente, e após um grande sucesso nas eleições de 2018, o nome da deputada é apontado por outros parlamentares do PSL como a principal aposta para a sucessão de Bolsonaro na corrida presidencial, em 2022.

Questionada sobre o que a levou a entrar em ruptura com o actual chefe de Estado, Janaina apontou o momento em que começaram a surgir acusações contra os filhos do Presidente, contrariando tudo aquilo por que sempre lutou.

“Um ano antes das eleições, eu jamais me imaginaria a votar em Bolsonaro. Nós, que acompanhamos e denunciamos os graves crimes do PT, ficamos sem alternativa. Era necessário apoiar a alternativa à quadrilha conhecida e, com chances reais de vitória, só havia Bolsonaro”, disse a deputada, numa entrevista concedida por ‘e-mail’ à Lusa.

“Ademais, deve-se lembrar que, antes da eleição, ninguém sabia das acusações que viriam a pesar sobre o seu filho Flávio Bolsonaro. Então, Bolsonaro era visto como o único capaz de enfrentar um sistema completamente corrompido. Eu já não concordava com o estilo Bolsonaro de ser, mas quando as acusações contra Flávio surgiram, comecei a duvidar da veracidade do que fora anunciado durante a campanha”, justificou.

O senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho do Presidente, é investigado desde Janeiro do ano passado pela alegada prática de crimes de peculato e branqueamento de capitais no seu gabinete na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.

A investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro apura um esquema de “rachadinha” – prática em que funcionários devolvem parte dos seus salários pagos pelo estado a quem os contrata -, quando Flávio Bolsonaro ainda era deputado estadual, com base em relatórios de inteligência financeira.

Janaina frisou que apenas votou em Bolsonaro por falta de uma outra opção que considerasse viável para o futuro no país: “Sinto a falta de preparo de Bolsonaro e do grupo que o cerca, mas eu não tinha alternativa, jamais votaria no PT, eles não me enganam. Nada pode ser pior que o PT”.

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