Reencontros

De repente, os relatos diários dos números de mortes na Europa, causadas pela Covid-19 começaram a baixar. Caem quase todos os dias. Pela tendência, no mês de Junho poderão ser já “insignificantes”. Talvez a subida da temperatura, com a chegada da Primavera, esteja a ajudar, já que não se anunciou, até agora, um medicamento específico para tratamento da doença e muito menos uma vacina. Ao contrário, em boa parte de África as temperaturas começam a baixar, mas talvez o vírus tenha perdido a corrida, com as medidas adoptadas no continente.

E a alma poderá receber outra vez, de forma controlada, naturalmente, o seu melhor remédio e alimento, em forma de abraço. As pessoas são cada vez mais egoístas, mais desligadas, mas há coisas que não mudam. Duas imagens que vi ao longo destes dias explicam muita coisa. Comovem, são sinais de que o mundo somos mesmo todos nós, de que os sinais dos outros nos podem tocar, mergulhar num mar de dor ou de esperança.

Não falemos dos números da dor, das imagens que sangram a alma. Falemos de uma notícia sobre a autorização do abraço. “Crianças autorizadas a abraçar os avôs”. É como dizer que o mundo está salvo, que há futuro, que se quebra o cruel distanciamento. Que a vida volta a fazer sentido para muita gente. Há mais pureza que aquela que envolve o abraço de uma criança ao seu avô?

Uma outra imagem que me tocou é de uma casa de idosos beijando-se na rua, em Itália. O maldito vírus não matou o amor. Ele pode marcar de dor os rostos dos homens, pode interromper o abraço, pode até proibir o beijo, mas enquanto persistir a vontade de reencontro, a humanidade vencerá.

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