Regularidade de vacinação garante estabilidade à saúde infantil no Kicabo

Em tempos idos, o único centro sanitário da localidade já registou muita enchente de pacientes com queixas de vária ordem, de acordo com o seu responsável, Jocelino Fernando, que louva a garantia do stock de vacinas por parte da sua repartição municipal

O administrador do centro de saúde da comuna de Kicabo, município do Dande (Caxito), província do Bengo, Jocelino Fernando, revelou a O PAÍS que as ocorrências à sua unidade hospitalar diminuíram consideravelmente, nos últimos dois anos, devido à regularidade da vacinação.

Questionado se não são os doentes que deixaram de chegar à unidade hospitalar que dirige por causa da distância e dos custos dos transportes, o responsável disse que o seu estabelecimento tem registadas as famílias da comuna que já marcaram presença no centro e se comunica com as mesmas, sempre que possível, a fim de saber do estado de saúde dos seus membros.

Jocelino Fernando, que garantiu terem vacinado mais de 300 crianças em Março último e perto desse número no mês passado, informou, igualmente, que, antes de 2018, o número de crianças doentes que eram levadas ao centro da comuna ultrapassava as 400, já que a referida instituição atende 30 bairros bastante populosos e quase todos com distância de mais de 30 quilómetros da sede comunal. “A nossa unidade sanitária nunca teve ruptura de vacina, porque temos sempre as mais importantes e procuradas pelas mães, na primeira infância dos seus filhos, tal como podemos destacar as de BCG, póliomielite, penta, rotavírus, hepatite B, rubiola, febre amarela e tétano”, detalhou o enfermeiro.

O administrador do estabelecimento de saúde garantiu que, mensalmente, recebem cem ou mais doses de todas as vacinas de que se referiu, a julgar pelas necessidades relatadas.

Ele e a sua equipa de trabalho fazem o relatório de uso e necessidades antes do fim de cada mês, de modo que a logística seja reforçada ainda antes de se ver em falta. “Mas, se antes do período desse procedimento houver ruptura de qualquer um desses fármacos, então solicitamos um reforço à Repartição Municipal da Saúde do Dande (Caxito)”, assegurou o dirigente.

O último abastecimento aconteceu no dia dois do mês em curso, sendo que, em termos de gastos, a logística já vai quase a meio, uma situação que levou o responsável do centro médico de Kicabo a adiantar que a solicitação do reforço poderá acontecer mais cedo em relação aos períodos anteriores.

“Normalmente, o atendimento é célere, porque nunca se passaram dois dias sem os medicamentos chegarem”, gabou-se Jocelino Fernando, para quem a área de vacinação no Kicabo é a que a Administração do Dande presta mais apoio regular, uma prioridade que o próprio atribui ao facto da sua posição geográfica e da especificidade da sua população.

Jocelino Fernando, que chegou mesmo a afirmar que os seus superiores hierárquicos não deixam essa área sem vacina, confessou que fica muito preocupado quando ouve colegas de outras paragens, sobretudo de instituições de saúde de Luanda, a reclamarem da falta de medicamentos.

Mas esses clamores também exigem dele o aumento da sua responsabilidade de gestão apropriada, de modo a manter a confiança dos superiores, a fim de os motivar a fornecerem-lhes com a mesma regularidade, conforme fez questão de referir o próprio. Esperançoso de que as situações de carência dos colegas de ofício venham a ser atendidas, Jocelino encoraja, igualmente, os administradores de centros médicos a pautarem-se por uma gestão transparente e de prestação de contas, pois não consegue perceber por que razão há fármacos para alguns e para outros não.

Recordou que desde finais de 2004 e princípios de 2005, quando tiveram um surto de sarampo, os dirigentes tomaram de aviso e predispuseram- se a olhar para a comuna com bastante prioridade no que ao capítulo da saúde diz respeito, até porque, deste jeito, acabaram também por evitar as enchentes.

De lá para cá, e fruto de um programa de aconselhamento desenvolvido no centro, a população acorre à unidade sanitária para o cumprimento das doses de vacinação”, informou, realçando que a mobilização que fazem às mulheres concebidas é determinante para que a mensagem chegue às famílias e o acatamento se efective. “Havia tempos que íamos fazer uma semana em alguns bairros, porque havia condições de alojamento, alimentação e transporte, o que actualmente não temos, até porque, em termos de meios, só vejo dois carros de campanha a circular.

Tratamento de bebés detalhado

O entrevistado de O PAÍS detalhou que a sua equipa vacina a vulgarmente conhecida com a sigla BCG para os recém-nascidos, já que esses infantis têm de fazer a referida dose, a de hepatite B e a zero-12.

Para os de dois meses, há que dar as vacinas contra a pólio, o penta 1 e a rotavírus.

Já os de quatro meses têm de fazer a segunda dose das primeiras vacinas que ele tomou de início.

Aos bebés de seis meses é recomendada a administração de pólio, penta e plumo 13, deixando de fazer o rotavírus, já que, aos nove meses, a criança deve levar a primeira dose de febre-amarela, de rubiola e a vitamina A.

Por ser o mesmo padrão que assegurou seguirem das recomendações das instâncias reitoras da saúde, aos petizes de um ano e três meses, faz-se a última dose de sarampo (rubiola).

Relativamente às grávidas, cumprem a primeira dose contra o tétano quando estiverem com cinco meses de gravidez, sendo que no mês seguinte cumpre-se a segunda dose da vacina em referência. Lembrou, entretanto, que, no primeiro trimestre, tem de tomar já a de fancidar, no caso de não sofrer de paludismo, uma injecção que, a ser favorável ao estado de saúde da grávida, deve cumprir nos cinco meses consecutivos.

“Referiu que esse tratamento pode seguir até às vésperas da realização do parto, depois do que as atenções se dirigem para o recém-nascido. Sobre o programa de aconselhamento, Jocelino Fernando confessou que a sua equipa já não vai às comunidades há coisa de meio ano, porque lhe falta meios de transportes com os quais podiam chegar facilmente aos mais de 25 bairros, todos eles distantes entre si e, principalmente, da comuna sede.

A par disso, informou ainda que o quadro do pessoal do centro médico de Kicabo só há cerca de um ano subiu para 12, com a agravante de metade dos técnicos viver na província de Luanda.

Malária não pode ser esquecida

“Apesar de nesta altura as pessoas estarem mais preocupadas com o novo Coronavírus, nós nunca nos podemos esquecer da malária. Por cá, recebemos anti-palúdicos no princípio do mês, por isso estamos a conseguir dar cobro aos casos de paludismo que aparecem no centro”, garantiu, realçando que têm o Coartem e o Arinate e outros componente da dose para o combate à malária.

Falando de números, o director do centro considera ter havido uma diminuição de casos de malária, na comparação com os meses transactos, já que falou em 142 confirmados por testes para Abril, sendo que para este mês contam com 79 casos.

“Mas, comparado ao princípio do ano antepassado, esse número não é muito, porque já chegamos a ter mais do que o dobro por mês”, ponderou, adiantando que ele e os seus colegas do centro tudo fazem para se ir contrapondo à doença, que considera já se ter tornado familiar aos angolanos. Outros sintomas, tal como de diarreia, febre tifóide, problemas respiratórios, também encontram solução no centro, porque ainda há fármacos para a cobertura.

Aliás, não faltam pessoas do município-sede e das comunas limítrofes do vizinho município de Muaxiluando (Nambwangongo) que preferem recorrer à sua unidade sanitária, por considerarem que encontram aí mais medicamentos.

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