Angola regista terceira morte e primeiro contágio de enfermeira com Covid-19

O país registou dois casos positivos com uma morte por Covid-19, o que perfaz a terceira, e o contágio, nas últimas 24 horas, de uma enfermeira de 25 anos que trabalhava num centro de tratamento da Covid-19. O malogrado é um cidadão de 82 anos de idade que regressou de Portugal, em Fevereiro último, numa altura em que aquele país não havia registado qualquer caso de Covid-19, revelou, ontem, o secretário de Estado para a Saúde Pública, Franco Mufinda

Franco Mufinda disse, ontem, na habitual apresentação diária do balanço da situação epidemiológica no país, que o malogrado tinha outras comorbidades, entre as quais doença pulmonar obstrutiva crónica, pelo que as autoridades estão a investigar para aferir se será o primeiro caso de contaminação comunitária em Angola.

Este paciente, até então residente na Maianga, entrou tardiamente no cento de tratamento da doença criado pelo Executivo e permaneceu por pouco tempo, tendo morrido ontem.

“Tem estado em curso o rastreio para doentes de síndromes e doenças respiratórias graves e agudas com agravamento súbito de síndrome crónico”, disse.

Por essa razão, disse que há a necessidade de se redobrar os esforços de prevenção e de diagnóstico precoce de doentes e, sobretudo, rastreio de contactos.

“Dizer que a situação comunitária poderá ter iniciado neste último caso. Vamos procurar alguém mais próximo do falecido para poder estabelecer está linhagem”, salientou.

Franco Mufinda referiu que o cidadão em causa regressou ao país em Fevereiro do corrente ano, proveniente de Portugal, numa altura em que aquele país não tinha registo de casos de Covid-19. “Então, há todo um trabalho à volta do mesmo”, frisou.

Enfermeira contaminada

O governante revelou também que, além do paciente que perdeu a vida, há ainda o registo de mais um caso positivo. Trata-se de uma enfermeira de 25 anos de idade que trabalha num dos centros privados de tratamento da Covid-19.

Do ponto de vista epidemiológico, este caso passou a ser trado como um caso de contaminação local.

“Agora temos 50 casos confirmados de infectados, dos quais, três óbitos, 17 recuperados e 30 activos em situação clínica estável. A transmissão local tem 22 casos, faltando a definição deste último, que teve como desfecho o óbito e depois de investigar havemos de encontrar o seu enquadramento: se é de transmissão local ou comunitária”, esclareceu.

Mais de seis mil amostras processadas

Franco Mufinda salientou que, em termos laboratoriais, o Instituto Nacional de Investigação em Saúde (INIS) conseguiu processar até esta data 6.605 amostras, das quais 50 positivas, 6.008 negativas e 547 se encontram em processamento.

O secretário de Estado para a Saúde Pública fez saber que os casos suspeitos investigados até agora são 442, enquanto os contactos sob investigação e vigilância são 1.176. Já em quarentena institucional estão 1.214 pessoas.

Disse ainda que algumas das pessoas que estavam privadas da liberdade de circulação beneficiaram desse direito nas últimas 24 horas, sendo que foram distribuídas pelas províncias de Cabinda com nove pessoas, Cuando Cubango uma e Lunda- Norte com duas.

Entretanto, o Centro Integrado de Segurança Pública (CISP) registou 66 chamadas, das quais um alerta de caso suspeito de Covid-19, uma denúncia de violação do estado de emergência e 64 pedidos de informação sobre a Covid-19.

Fez saber que continua o reforço da formação dos profissionais de saúde em matéria de cuidados intensivos e vigilância epidemiológica em gestão de casos.

País recebeu mais 70 toneladas de materiais de bio-segurança

Franco Mufinda informou que, ontem, o Ministério da Saúde e a Comissão Multissectorial de Prevenção e Combate à Covid 19 conseguiram realizar uma aquisição de 70 toneladas de diversos materiais de biossegurança e medicamentos, provenientes da China, para aumentar a capacidade de resposta à Covid-19 no país. Fez saber que nas províncias do Bengo, Cuanza-Norte, Cunene, Huambo, Lunda-Norte, Luanda-Sul e Uíge realizaram-se acções de formação, desinfecção de locais públicos, sensibilização da população e envio de algumas amostras ao laboratório em Luanda. Para prevenção, Franco Mufinda apelou ao uso da máscara em locais indicados, à lavagem frequente das mãos com água e sabão, à permanência das pessoas em casa, o distanciamento social e, sobretudo, o acatamento das medidas contidas no Decreto do Estado de Emergência.

error: Content is protected !!