Habitantes de Kicabo criam mecanismos de prevenção da fome

A fome que assolou em 2015 a comuna de Kicabo, município do Dande, província do Bengo, fruto da prolongada estiagem, terá ensinado os seus habitantes a criar uma gestão parcimoniosa dos produtos que cultivam, revelou a OPAÍS, Jocelino Fernando, administrador do centro de saúde local

Jocelino Fernando contou que agora que houve chuva em abundância, a população produziu muito milho, feijão, ginguba, ervilha e mandioca que poderão assegurar a sua dieta alimentar durante os próximos três meses.

O profissional de saúde declarou, satisfeito, que, na qualidade de habitante, ele e os seus vizinhos aprenderam a fazer poupanças para se aguentarem nos meses de Junho, Julho e Agosto.

Nesse período, a caça e a recolecção de frutos silvestres, além do fabrico de carvão costumam a substituir relativamente a produção agrícola, que encontra poucas alternativas.

Adiantou que, com a entrada do Cacimbo, têm aconselhado a população a ficar alerta e dirigir- se ao centro, quando estiver acometida por qualquer sintoma, sobretudo por tosse, gripe e de outras doenças do fórum respiratório, que, apesar de serem do tempo, constituem indicativos da Covid-19.

Disse que as medidas de segurança contra o novo Coronavírus estão asseguradas porque os técnicos de saúde, funcionários da Administração e líderes tradicionais têm levado a cabo campanhas de sensibilização e mobilização dos habitantes.

Parte das máscaras foi dada aos populares da sede da comuna pelos técnicos de saúde do centro médico local, mas outras estão a ser adquiridas a partir de alguns alfaiates da localidade, que foram incentivados a produzi-las em grandes quantidades.

“Muita gravidez no confinamento social”

O número de mulheres grávidas que acorrem ao centro médico do Kicabo é outra preocupação manifestada pelo administrador dessa instituição.

Segundo ele, só no mês de Abril, tiveram 111 grávidas que, a julgar pelo número de famílias que estas representam, constitui um número muito elevado.

Assegurou ser fácil controlar o fluxo, porque as mulheres concebidas e as mães com crianças ao colo são as que procuram mais o hospital.

Embora ainda ao meio, neste mês o enfermeiro disse que a estatística de novos casos de mulheres concebidas já está perto de cinquenta, um indicativo que o enfermeiro considera ser fruto do confinamento social imposto pela pandemia Covid-19.

O enfermeiro estima que, a partir de Novembro próximo, a comunidade do Kicabo verá a sua população aumentada consideravelmente, porque, para ele, essas concepções aconteceram teoricamente em Março e Abril.

“Mas as pessoas continuarão em casa até pelo menos à entrada do mês de Junho”, disse, atendo-se ao facto de o último estado de emergência terminar a 24 de de Maio, com muitas probabilidades de ser prorrogado.

Às gestantes, a direcção do centro atribui um mosquiteiro, logo na primeira consulta pré-natal, já que o outro acessório do género é concedido quando o seu bebé completar nove meses.

Água turva preocupante

O líquido vital também continua a constar da agenda de preocupações principais de Jocelino Fernando, que sempre se debateu contra este elemento determinante para a saúde do homem.

Informou que só uma parte da sede beneficia de água tratada ao nível da comuna, quando a Empresa de Tratamento de Água (ETA) local funciona, sendo que outros dependem dos camiões– cisternas de alguns comerciantes que a vendem aí. Os habitantes da maioria das localidades que distam mais de 30 quilómetros da sede consomem água turva dos rios e poços por si escavados, o que contribui para a contracção de muitas doenças, soube O PAÍS do seu interlocutor, que deseja ver essa situação resolvida, de modo a melhorar-se a qualidade de vida dos munícipes.

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