Itália tem “um dia lindo” depois que lojas e bares finalmente reabrirem

Lojas, cabeleireiros e restaurantes da Itália finalmente reabriram as portas nesta Segunda-feira, já que o país acelerou os esforços para se recuperar da crise do coronavírus após um isolamento de 10 semanas.

Os consumidores puderam voltar a beber o seu cappuccino em cafés, embora bem distantes uns dos outros, e missas públicas puderam ser retomadas nas igrejas depois que bispos pressionaram o governo a permitir os serviços religiosos.

“Não trabalhava há dois meses e meio. É um dia lindo, empolgante”, disse Valentino Casanova, funcionário do Caffe Canova da Piazza del Popolo, no centro de Roma.

Quase 32 mil italianos morreram de Covid-19 desde que o surto veio à tona no dia 21 de Fevereiro, o terceiro maior número de mortes do mundo, só atrás daqueles dos Estados Unidos e Reino Unido.

A Itália foi o primeiro país europeu a impor restrições de âmbito nacional a princípio de Março, só permitindo um relaxamento inicial das regras em 4 de Maio, quando permitiu que fábricas e parques reabrissem.

A Segunda-feira assinalou um grande passo adiante no caminho da recuperação —não há limites nas viagens entre regiões, amigos podem voltar a se reunir e os restaurantes podem funcionar, mantendo uma distância de ao menos dois metros entre as mesas.

Os telefones tocavam sem cessar nos salões de cabeleireiros, para onde os clientes acorreram para ficarem mais apresentáveis.

“Já tenho 150 agendamentos, tudo muito urgente, todos eles insistindo que precisam ser o primeiro da lista”, disse Stefania Ziggiotto, cabeleireira do resort alpino de Courmayeur. “Estou com a agenda cheia durante três semanas.”

Mas os donos de muitos negócios receiam que a reabertura não acabe com os seus muitos problemas como um toque de mágica. Persiste o temor de que o coronavírus mantenha muitos italianos em casa, e os turistas estrangeiros, vitais para a economia, fiquem completamente ausentes.

O governo disse que abrirá as fronteiras com a Europa e permitirá a livre circulação entre as regiões a partir de 3 de Junho, mas ninguém espera um fluxo repentino de visitantes de fora.

O Tesouro está a prever que a economia se retrairá ao menos 8% em 2020, a recessão mais profunda desde a Segunda Guerra Mundial, e o primeiro-ministro, Giuseppe Conte, disse no final de semana que está a assumir um “risco calculado” ao revogar as restrições rígidas.

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