Silêncios

Admiro a forma como os políticos angolanos gerem o silêncio. Admiro porque algumas vezes o fazem de forma inteligente e obtêm bons resultados, ainda que a colheita venha muito depois do assunto, e admiro-os também por crerem tanto nesta táctica que muitas vezes não percebem que deveriam fazer exactamente o contrário e somam perdas colossais.

Olhemos para os três históricos. Na FNLA, a gestão dos silêncios tem sido tão desastrosa que o partido está em vias de extinção. Lucas Ngonda não precisa de responder permanentemente aos críticos, mas, por isso mesmo, deveria aparecer mais, mostrar o que vale, o que pensa, para arregimentar apoiantes, novos, de preferência.

Na UNITA, Adalberto Costa Júnior tem sido, claramente, alvo de fogo orquestrado. Ele até aparece, fala de tudo e muito bem, mas nunca responder às acusações que lhe são dirigidas pode começar a erodir as novas bases. Este povo já exige mais explicações. E para quem aspira o poder, que o povo o retire de outro e lho passe, bem, vamos falar primeiro né?

O MPLA, neste momento nem precisa mais de inimigos, basta-lhe deixar que se avolumem dúvidas e desconfianças em casos como o da construção da cidade dos ministérios, que até hoje não obteve esclarecimento oficial sobre se avançará ou não, e como no caso das casas de Calumbu. E tem ainda a maka dos voos da China com material para a luta contra a Covid-19. Nem sempre a aposta no tempo é válida. Menos ainda agora quando tão recentemente ouvimos os discursos de condenação da “corrupção dos outros” exactamente feitos por algumas figuras que agora estão “suspeitas” na opinião pública.

Como ainda ontem disse a Comissão da União Europeia, “a desinformação é a doença do século”. Se até há bem pouco tempo a gestão do silêncio permitia controlar a informação, hoje, basta um erro de cálculo para permitir o crescimento da desinformação. E que faz muitos estragos, oh, se faz!

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