Incineradora de centros de quarentena instalada a custo zero

A incineradora móvel instalada para receber o lixo dos centros de quarentena do Calumbo I e II , bem como do Kilamba e Hotel Victória Garden, e que funciona desde o mês de Março, não custou dinheiro ao Estado. Embora tenha tido o seu custo, a empresa responsável pela instalação, a Sambiente, fê-la a custo zero

Em Março, ante a preocupação para acautelar o descarte descontrolado dos resíduos e garantir a gestão segura dos mesmos nos centros de quarentena da capital, a Agência Nacional de Resíduos manteve um encontro com as empresas operadoras de lixo no qual foi anunciada a instalação, em fase conclusiva, de uma incineradora móvel no Calumbo.

Em entrevista exclusiva ao jornal OPAÍS, o PCA da Agência Nacional de Resíduos (ANR), Monteiro Lumbo, disse que a incineradora instalada no Calumbo, pela Sambiente, não custou nada ao Estado. Isto é, embora a empresa em questão tenha tido custos para tal empreitada, nada foi cobrado ao Estado.

“Devo aqui aproveitar realçar que os operadores estão neste trabalho com um único custo/benéfico, o de serem patriotas e contribuírem com o seu conhecimento e equipamento para ajudar o país nesta hora delicada. Agradecemos imenso a prontidão e o compromisso tão surpreendentes”, disse.

Movidas pelo sentimento patriótico e pela responsabilidade social, segundo o PCA, as empresas de gestão e recolha de resíduos sólidos, Elisal E.P, Sambiente Lda, Recoflix Lda, Vista West Lda., assim como a Brigada Especial de Limpeza da Casa de Segurança da Presidência da República, unem forças para combater o novo Coronavírus no nosso país.

A empresa Sambiente implantou a incineradora móvel no Calumbo, em Luanda, e está encarregue da gestão e eliminação dos resíduos gerados nos centros de quarentena Calumbo I e II.

A Recoflix instalou os contentores adequados, realiza a desinfestação, recolha e transporte dos resíduos dos centros de quarentena Calumbo I e II, bem como do hospital de referência da Barra do Cuanza para a unidade de eliminação.

A ELISAL apoia a Recoflix com viaturas e técnicos, enquanto a Vista West recolhe os resíduos dos centros de quarentena dos hotéis Victória Garden e Infotur, levaos a unidade móvel do Calumbo, e continua com as acções de descontaminação da via pública, nos municípios de Belas e Talatona. Juntas, estas empresas têm capacidade de recolher 12 a 15 toneladas por dia.

“Saúdo, com calor, estes operadores, tão patriotas como a maioria dos angolanos, que nunca viraram as costas aos desafios”, reforçou Monteiro Lumbo.

Cuidados redobrados para não contaminar o operador

Não é fácil operar este tipo de lixo, por isso, Lumbo considera tais operadores como verdadeiros heróis da linha da frente, tais como os médicos, enfermeiros, auxiliares de limpezas e todos aqueles que de forma directa lidam com a situação.

Para evitar que sejam infectados e infectem as suas famílias, as operadoras prepararam condições para alojar os seus funcionários em períodos definidos, findo os quais devem ser isolados. Para a testagem dos mesmos, encaminham a preocupação à Comissão interministerial.

“Todas as condições para que os operadores não contraiam o novo Coronavírus estão acuteladas, sendo que, enquanto estiveram a operar, não deverão ir às suas casas e, de 10 em 10 dias são submetidos a testes. Outrossim, os centros de quarentena são desinfectados com hipoclorito, assim como os contentores e viaturas que estão envolvidos na transportação”, disse.

Os resíduos são depositados em contentores específicos e os operadores, que não têm acesso às salas e móveis para evitar o contágio por via dos passageiros suspeitos da pandemia Covid-19, normalmente movimentam os contentores, desinfectando primeiro a área e só depois transportam para a unidade incineradora. Ademais, para a segurança dos cidadãos, a unidade móvel de incineração está a uma distância de dois quilómetros dos centros de quarentena, impedindo o acesso daqueles ao lixo.

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