O sujeito Mufinda

Ontem gostei de ouvir o secretário de Estado Franco Mufinda. Não pela má notícia que ele deu, a de haver mais duas pessoas infectadas com o novo Coronavírus. Eu cá sou dos que pensam que a coisa anda por aí algo espalhada já, mas também espero que as infecções continuem assintomáticas até o vírus desistir por si, ou, melhor, até cada organismo o expulsar.

Fiquei-me então por um pormenor na sua comunicação que nada tem a ver com a Covid-19. O secretário de Estado disse a palavra “sujeito” para se referir a um dos novos doentes. Estranhei um pouco porque o normal por vá é dizer indivíduo. E então viajei. Quando era criança ouvia expressões como “caixa-de-óculos” como referência a quem usasse óculos. Também me lembro homem da “pêra”, que era quem tivesse barba, ou, talvez, um ripo de barba. Mas não se ficaram por aí as expressões que a memória foi buscar. Peúgas eram meias de homens, porque estas, ao que parece, eram as das senhoras, tal como as cuecas, porque os rapazes usavam trusses.

Os tempos mudam e as vontades também, como disse o poeta, por isso desapareceram muitas expressões e algumas se alargaram e ficaram com os significantes de outras. Chapéu e boné já ninguém sabe como os distinguir. As mulheres trocaram a combinação, a cinta e o saiote pelos calções collants … não me perguntem como sei, basta andarmos pelas ruas para ver, porque as sujeitas preferem a saia mais curta do que a peça. Talvez um “descuido” sedutor. Ou uma opção protectora.

E lembrei-me também que na escola se aprendia que no passeio se deveria, em grupo, andar em fila indiana, relativamente distanciados e que isto não implicava falar aos gritos para conversar. Assim não se obstruía o passeio e respeitava-se o direito de outros ao mesmo espaço público. Ora vejam, se calhar o vírus fizesse menos estragos se os sujeitos se vestissem melhor e aprendessem como portar-se na rua, relativamente distanciados.

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