Cerca sanitária na Multiperfil e parte do corpo clínico em quarentena

Nas últimas 24 horas foram confirmados mais seis novos casos de transmissão local da Covid-19 no país, perfazendo um total de 58 casos positivos. Trata- se de cidadãos que tiveram contacto directo com o mediático “Caso 26”

A ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta, revelou, ontem, que foi instalada cerca sanitária ao andar onde tinha ficado internado o ancião de 82 anos (cado 50) que faleceu nesta Terça-feira, vítima de Covid-19, depois de ter dado entrada no centro de tratamento de referência da Covid-19.

Este cidadão angolano, residente em Portugal, veio ao país de férias, em Fevereiro, com o propósito de visitar a família, numa altura em que aquele país europeu não havia identificado qualquer infecção do novo Coronavírus. Entretanto, os profissionais que tiveram contacto “caso 50” estão todos em quarentena institucional, de acordo com a governante.

Assim sendo, continua a ser investigada a questão do seu vínculo epidemiológico para se avaliar o seu o enquadramento.

“Estamos a trabalhar com a família e com todos os contactos à procura de algum vínculo epidemiológico. Só depois desta investigação estaremos em condições de dizer se é um caso de contaminação local ou de transmissão comunitária”, frisou a ministra.

Por outro lado, garantiu que a primeira enfermeira testada positiva em Angola está a ser seguida em internamento numa unidade do sector privado e que também se encontram em quarentena os seus contactos directos, alguns deles profissionais de saúde. Todos serão testados.

A ministra da Saúde fez saber que tem sido uma prática da Comissão Interministerial de prevenção e Combate à Covid-19 testar os profissionais da saúde, que estão na linha da frente a lidar com os casos de Covid-19 no país. “Foi neste desidrato que a nossa enfermeira foi diagnosticada”, disse.

Questionada sobre a testagem dos passageiros de outros voos que chegaram ao país no mesmo período (entre Fevereiro e Março), a ministra garantiu ser um procedimento que se vai fazer. Só não foi feito ainda porque, entretanto, surgiram outras emergências.

Apoio psicológico a polícias

O porta-voz do Ministério do Interior, sub-comissário Waldemar José, esclareceu que está a ser prestado o apoio necessário à família do menor de 15 anos morto acidentalmente por um polícia, cujo pai também é efectivo da corporação, na província de Benguela.

Disse que continuam a custear e a prestar todo o apoio à família e ao autor do disparo. O pai do menino foi dispensado e está a ser devidamente acompanhado por especialistas do fórum psicológico, para que os efeitos danosos sejam minimizados.

“Caso 26” infecta mais seis e eleva contagem para 58 de Covid-19

Sílvia Lutukuta disse, em conferência de imprensa de apresentação diária do balanço sobre a situação epidemiológico no país, que os seis novos casos testados positivo ao novo Coronavírus são de contaminação local e fazem parte da cerca sanitária do Futungo, relacionados com um dos casos seguidos.

Esclareceu que os cidadãos em causa têm as idades compreendidas entre os nove meses e 95 anos de idade, são todos do sexo feminino e, até o momento estão assintomáticos.

“Continuam neste local, no Futungo, a cerca sanitária e a testagem de todos os actores que estão na envolvência da mesma. Foram colhidas 354 amostras que começaram a ser testadas no nosso laboratório e das 69 amostras já testadas temos seis amostras positivas”, revelou. Assim sendo, epidemiologicamente o país tem um total de 58 casos positivos, dos quais três óbitos, 17 recuperados e 38 casos activos clinicamente estáveis, sendo 31 de transmissão local. A governante disse que do ponto de vista de vigilância laboratorial, tendo em conta que está a ser feito um trabalho profundo nas cercas sanitárias, já foram colhidas cerca de 10 mil amostras, das quais 6.693 amostras foram processadas, sendo 58 positivas.

Por outro lado, falou sobre o material de biossegurança segurança chegado ao país, uma aquisição do Estado Angolano na República da China. Afirmou que já se encontram no país mais de 90 toneladas de materiais diversos para o combate à Covid-19.

“Esses materiais serão distribuídos amanhã (hoje) para reforçar as actividades preventivas de vigilância epidemiológica laboratorial e manejo de casos a nível nacional”, garantiu.

Anunciou que as actividades de promoção de saúde continuam em curso, bem como acções formativas para várias classes de profissionais de saúde em vigilância epidemiológica laboratorial e manejo de casos.

Lutukuta apela a medidas de protecção

De acordo com ministra da Saúde, é importante manter as medidas de protecção individual e colectiva como lavar as mãos com água e sabão, desinfectá-las com álcool gel sempre que possível, observar a etiqueta respiratória e usar a máscara facial quando se estiver na rua, mercados, transportes públicos, bem como em locais fechados com mais pessoas.

Por outro lado, disse que manter o distanciamento de pessoas de pelo menos um metro e ficar em casa são medidas cujo o objectivo maior é cortar a cadeia de transmissão, tendo salientando que o país contínua em estado de emergência e todas as medidas devem ser cumpridas, uma vez que o número de casos continua crescer.

Recordar que o “Caso 26” é um cidadão angolano que regressou ao país no voo da TAAG do dia 18 de Março, proveniente de Lisboa, Portugal, e não cumpriu a quarentena domiciliar. Actualmente, é responsável pela infecção de 18 pessoas, sendo a maior parte membros da sua família.

Por isso, as autoridades sanitárias mantêm sob cerca sanitária o distrito urbano do Futungo, enquanto se espera pelos resultados das mais de 300 amostras recolhidas.

Doenças endémicas continuam com atenção especial

Sílvia Lutukuta garantiu que apesar da Civid-19, o Ministério continua a trabalhar no combate às grandes epidemias, sendo um dos eixos fundamentais do Plano de Desenvolvimento Nacional. Fez saber que se continua a dar uma atenção muito especial às grandes endemias, salientando que o mundo foi assolado por uma pandemia com um inimigo mortal, desconhecido e que por isso merece uma atenção particular.

“Não podemos imaginar, sequer, o nosso país numa situação pior com vários casos de Covid-19, que nós sabemos que tem uma transmissão muito fácil e com alta letalidade, associado às nossas doenças endémicas. Portanto, iria ser uma catástrofe.

E nós não podemos correr, de forma alguma, esse risco e nem queremos imaginar um cenário dessa natureza”, disse.

Por outro lado, explicou que por esta razão, Angola e a maior parte dos países africanos tão logo soou o alerta da Organização Mundial da Saúde optaram por tomar medidas preventivas, porque mais vale prevenir do que remediar. Isso tendo em conta os custos muito altos que todos os países que tiveram situações bem piores do que a dos países africanos estão a pagar.

Entretanto, disse que o país tem os programas bem definidos contra o VIH/SIDA, Malária, à Tuberculose e contra as doenças negligenciadas, que já não existiam. “Temos que continuar a trabalhar, entre outras, com um foco especial nas doenças a que fizemos referência. A Malária é uma doença endémica e nós temos áreas híper- endémicas e, de facto, temos que continuar a lutar, mas temos de perceber que as grandes endemias não dependem só da saúde”, referiu.

De acordo com Sílvia Lutukuta, os problemas de saúde são transversais, no entanto, continua-se a trabalhar com outros sectores para melhorar o saneamento básico e o abastecimento de água potável, a literacia das pessoas e outros problemas socioeconómicos.

Questionada sobre o caso mediático dos aviões de carga com material para o Ministério, respondeu que os materiais de biossegurança chegaram num avião da Etopian fretado pelo Governo Angolano. Mas sobre outro material semelhante embarcado e pertencente a outras entidades, ela esclareceu que este material foi confiscado porque os donos não fretaram o avião (embarque não autorizado pelo Estado).

Em relação aos dois primeiros óbitos registados em Março, Sílvia Lutukuta reconheceu ter havido falta de controlo das autoridades sanitárias nacionais em relação às mortes por Covid-19. Disse que as famílias de ambos estão a ser seguidas e ainda não surgiu nenhum caso por meio deles.

error: Content is protected !!