Desperdícios

Olhando para a nossa história, rapidamente encontraremos angolanos a viver fora do seu país pelas mais diversas razões. Alguns deles acabaram por dar contributos enormes para o bem da nação e para os países onde se radicaram. Aliás, não há povos fechados em si mesmos, todos os povos receberam e deram pessoas a outros.

Nos nossos dias, apesar de sermos um país subdesenvolvido e com enormes dificuldades, os factos de vivermos em paz e da nossa desorganização permitir negócios rápidos e rentáveis, muitas vezes sem um serviço efectivo, atraem muitos estrangeiros. O segredo, agora, está em tirar partido da sua presença. Cada homem é sempre um valor, há que aproveitar o melhor possível. E neste aspecto as autoridades têm grande responsabilidade. Mas a sociedade civil também.

Há estrangeiros, migrantes ou refugiados, com boa escolaridade e que Angola deveria aproveitar para resolver, ainda que nos bairros e de forma meio-informal, por via de associações, um dos principais problemas da sociedade, que é o não domínio de línguas estrangeiras.

As crianças não poderiam ocupar os tempos livres a aprender francês ou inglês, ou mesmo o suaíli, por exemplo? Estamos numa região em que se não conhecermos os vizinhos e a sua cultura nunca venceremos. Mas, em vez disso, ainda se dá espaço a algumas manifestações de xenofobia, insignificantes, felizmente. Este país gosta mesmo de desperdiçar.

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