Dois meses de polémicas, Regina Duarte deixa Secretaria brasileira da Cultura

Presidente Jair Bolsonaro salienta que a actriz sentia a “falta da família”

Regina Duarte deixou a secretaria da Cultura do governo de Jair Bolsonaro, anunciou o próprio presidente nesta Quarta-feira (20 de maio), e passa a comandar a cinemateca de São Paulo.

“Regina Duarte disse que sente falta da família, mas para que ela possa continuar a contribuir com o Governo e a Cultura Brasileiros assumirá, em alguns dias, a cinemateca em São Paulo. Nos próximos dias, durante a transição, será apresentado o trabalho já realizado nos últimos 60 dias”, disse o presidente brasileiro. Regina, veterana ex-actriz da TV Globo, de 72 anos, cessou o contrato com a estação, tomou posse a 4 de Março, mas durou apenas dois meses no cargo, intercalados de polémicas.

Mário Frias, actor conhecido pelo papel na novela teenager “Malhação”, é o favorito para ocupar o lugar. Frias, 48 anos, disse em entrevista à CNN Brasil estar disponível e Bolsonaro partilhou, na Terça-feira, nas redes sociais extractos dessa conversa.

O Presidente e a ex-secretária, apareceram em vídeo a tentar mostrar que não houve ressentimentos. Na peça, Regina diz: “acabo de ganhar um presente que é um sonho de qualquer pessoa de comunicação, de áudio-visual, de cinema, de teatro: um convite para fazer cinemateca, que é um braço da cultura que funciona lá em São Paulo, e é um museu de toda a filmografia brasileira, ficar ali, a secretariar o governo dentro da cultura na cinemateca. Pode ter presente melhor do que esse? Obrigado, presidente”. Bolsonaro responde: “Pode ter certeza de uma coisa, eu acho que você quer ajudar o Brasil e o que eu mais quero é o seu bem, pelo seu passado, por aquilo que você representa para todos nós.

Ir para a cinemateca, do lado do teu apartamento ali em São Paulo, você vai ser feliz e produzir muito mais, eu fico muito feliz com isso. Chateado porque você se afasta do convívio nosso em Brasília”.

Na semana passada, Regina Duarte ganhou as manchetes ao relativizar as mortes causadas pelo regime militar no Brasil, numa entrevista também à CNN Brasil, terminada abruptamente após a entrada em cena de um vídeo crítico à sua gestão da colega actriz Maitê Proença. “Ficar cobrando coisas que aconteceram nos anos 1960, 1970, 1980… Gente, é para frente que se olha”, disse a ex-actriz, sobre a ditadura, chegando a cantar “Pra Frente Brasil”, um hino daqueles tempos. Ela também desvalorizou as mortes na actual pandemia – “mortes sempre houve”.

E o facto de não ter reagido publicamente à morte de figuras fundamentais da cultura brasileira, como Aldir Blanc e Moraes Moreira, na música, e Rubem Fonseca, na literatura.

Diário de Notícias

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