China pede que EUA se comprometam a derrotar a Covid-19 e não emitam “ultimato” à OMS

O presidente chinês, Xi Jinping, enviou, nesta Quinta-feira, uma carta a expressar calorosas congratulações por uma série de actividades em celebração do primeiro Dia Internacional do Chá

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Zhao Lijian, proferiu estas declarações numa conferência de imprensa quando solicitado a comentar a resposta do primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, do porta-voz dos Negócios Estrangeiros e Política de Segurança da Comissão Europeia e do representante permanente da Rússia no Escritório das Nações Unidas em Genebra em relação à mensagem publicada no Twitter pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

“Está claro que a comunidade internacional discorda no geral das acções dos EUA em distorcer os factos, contradizer a si mesmo, culpar outros e minar a cooperação internacional no combate à pandemia”, disse Zhao. Zhao disse que a China esclareceu e refutou diversas vezes as falácias listadas na mensagem.

A carta afirmava que “as autoridades de Taiwan haviam enviado informações à Organização Mundial da Saúde (OMS), indicando a transmissão de um novo vírus entre humanos”. O facto é que o e-mail enviado pelo lado de Taiwan à OMS, em 31 de Dezembro, não mencionou a transmissão entre humanos, mas principalmente para solicitar informações à OMS.

A alegada chamada do “líder chinês, em 21 de Janeiro, em que supostamente pressionou o director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, a não declarar o surto do coronavírus como emergência” é algo totalmente fabricado. Tanto a China quanto a OMS emitiram declarações a esse respeito. O líder chinês nunca conversou com o director-geral Tedros por telefone em 21 de Janeiro.

Com relação às acusações contra o director-geral da OMS, Tedros, por elogiar o governo chinês pela sua transparência em relação ao coronavírus, anunciando que a China havia estabelecido um novo padrão para o controlo de surtos, o lado americano parece ter esquecido que o líder dos EUA avaliou publica e positivamente o trabalho anti-epidêmico da China em muitas ocasiões.

Em 25 de Janeiro, o presidente Trump tuitou que a China está a trabalhar duro para conter o coronavírus, e os Estados Unidos apreciam os esforços e a transparência da China. Em 13 de Março, o presidente Trump disse aos repórteres que os dados compartilhados pela China ajudariam os Estados Unidos a combater a pandemia, segundo Zhao.

“Ainda existem mais erros e brechas no lado norte-americano, além de mais mentiras e rumores. Não listarei um por um”, disse Zhao, acrescentando que os factos são bem claros para todos, e a comunidade internacional tem a sua opinião sobre a credibilidade desta carta.

Quando Wuhan foi fechada em 23 de Janeiro, havia um caso confirmado nos Estados Unidos. Em 2 de Fevereiro, os Estados Unidos fecharam a sua fronteira com todos os cidadãos chineses e estrangeiros que estiveram na China nos últimos 14 dias. Havia 11 casos confirmados, de acordo com dados oficiais dos Estados Unidos.

Em 13 de Março, os Estados Unidos declararam estado de emergência nacional. Nesse ponto, o número subiu para 1.264. Em 19 de Março, os casos confirmados passaram de 10 mil. Em 27 de Março, o número subiu para mais de 100 mil. Em 8 de Abril, quando o bloqueio de Wuhan foi suspenso, o número de casos confirmados nos Estados Unidos era de 400 mil. Hoje, são mais de 1,57 milhão, com mais de 90 mil casos fatais.

“Estamos tristes com essas vidas perdidas e desejamos ao povo americano uma vitória rápida sobre a pandemia”, disse o porta-voz, acrescentando que os políticos americanos podem ser bons em manipulação política, mas a sua tentativa de transferir a culpa não funcionará, porque as consequências da sua irresponsabilidade são muito caras.

Observando que a China não é apenas responsável com a segurança e saúde do seu próprio povo, mas também pela causa global de saúde pública, Zhao disse que a China adoptou as medidas mais abrangentes, rigorosas e completas de prevenção e controlo.

Zhao disse que, com uma atitude aberta, transparente e responsável, a China actualizou, oportunamente, a OMS e os países relevantes, incluindo os Estados Unidos, sobre a pandemia, compartilhou a sequência do genoma do vírus o mais cedo possível, e continua a compartilhar experiências em prevenção e tratamento com todas as partes sem reserva e ajudando outros países necessitados da melhor maneira possível, disse Zhao.

Salientando o firme apoio da China ao papel de liderança da OMS na cooperação global anti-pandémica, o porta-voz disse que unilateralismo, egoísmo, evasão de responsabilidades e até coerção e intimidação contra a OMS são actos de indiferença à vida, desafios ao humanitarismo e prejudicam a cooperação internacional contra a pandemia.

“Aconselhamos alguns políticos dos EUA a reflectirem sobre si mesmos, interromperem a manipulação política e usarem a sua energia para salvar mais vidas”, disse Zhao.

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