Sessenta crianças com HIV/SIDA carecem de apoio alimentar

A Associação “Amigo da Vida” pede apoio para alimentar 60 crianças que vivem com HIV/SIDA. Antes, estas crianças tinham o apoio de uma instituição religiosa, mas por causa da Covid-19 o quadro mudou e os menores vivem em extrema dificuldade

O sofrimento vê-se no facto de muitas dessas crianças não terem o que comer, uma vez que os pais não trabalham e os seus familiares não têm condições de as ajudar. Daí o grito de socorro da Associação Amigo da Vida, neste caso o seu coordenador, Noé Mateus, que conversou com o jornal OPAÍS.

A Associação Amigo da Vida tem distribuído pães e cestas básicas para minimizar o problema destas famílias, em parceria com a Acção Social da Administração de Viana e, principalmente, a do distrito urbano do Zango, mas não tem sido o suficiente. Noé Mateus explicou que já viu muitas crianças a recuperarem da condição de seropositivas e voltarem para as suas vidas normais, fruto do trabalho desenvolvido, mas também já enterrou muitas delas por causa desta doença.

“Quem puder, por favor, ajude-nos neste momento difícil a ajudar essas crianças. A situação está difícil para elas”, reforça.

O activista social lamenta o facto de, actualmente, quando se fala sobre a SIDA, a maior preocupação recair sobre os adultos, sendo que as crianças que nascem com esta patologia, fruto de várias situações, na sua maioria por causa da mãe, têm sido esquecidas. Algumas mães, ao aperceberem-se que estão infectadas, abandonam a medicação, com medo do estigma e discriminação.

Entretanto, “muitas, depois do parto nem explicam aos filhos a situação em que vivem, outras ficam órfãos de pai e mãe e acabam por viver em situação de vulnerabilidade, na casa de seus parentes”, frisou, Noé Mateus.

Desde 2006 que a associação Amigo da Vida decidiu cuidar e acompanhar crianças infectadas e afectadas pelo VIH/SIDA, órfãos e vulneráveis, sendo que na sua maioria já são adolescentes e jovens, que têm levado uma vida normal, tomando regularmente os medicamentos.

Lembrou que associação Amigo da Vida foi fundada em 2006, período em que se falava pouco sobre a SIDA em crianças, ou seja, crianças recém-nascidas de mães seropositivas. Entretanto, na época em que a associação surgiu para apoiar as mulheres grávidas no sentido de que elas pudessem ter todo o acompanhamento e tratamento para o corte de transmissão vertical e os bebés pudessem nascer sem o HIV e levar uma vida normal, muitas mulheres davam à luz crianças seropositivas.

“Essas crianças, hoje são jovens que vivem com VIH/SIDA, contraíram a doença sem contacto sexual, embora muitos ainda pensem que esta é a única forma de transmissão”, sublinhou.

Segundo Noé Mateus, actualmente ainda continuam a nascer crianças infectadas com VIH/ SIDA, por terem os pais também infectados, tornando-as vulneráveis e há muitos menores abrigados em orfanatos porque perderam os pais por causa do VIH/ SIDA.

“Muitas destas crianças estão localizadas num orfanato que a associação acompanha, outras vivem com os pais e são igualmente acompanhadas por esta via. A associação está aberta a todo o tipo de contribuição para estas crianças”, reforçou.

leave a reply