SINPROF considera precipitado avançar datas para o reinício das aulas

Regressar às aulas em Junho seria apostar na proliferação do vírus, tendo em conta a enchente nas salas de aulas. O sindicato sugere que se volte ao modelo da UNESCO, já usado em Angola, em que o ano lectivo vai de Setembro a Junho, e considera esta a melhor oportunidade para a sua implementação

Para o Sindicato Nacional dos professores (SINPROF) ao voltar-se às aulas no mês de Junho se estaria a propiciar a proliferação do coronavírus no nosso país, segundo disse ao OPAÍS o secretário-geral desta organização, Admar Jinguma.

O sindicalista disse ser necessário ter-se em conta o nível de literacia da população e absorver as experiências de outros países, tendo citado o exemplo de França, onde houve um aumento exponencial de casos uma semana depois de o Governo decidir abrir as escolas.

Admar Jinguma explicou que as escolas no nosso país não dispõem de condições essenciais para higienização das mãos, particularmente água corrente, e muitas delas apresentam salas abarrotadas de alunos.

“Nós temos salas com mais de 80 e nalguns casos 100 alunos, principalmente no ensino primário, e as nossas autoridades já falam na possibilidade de haver circulação comunitária do vírus”, disse. Diante deste cenário o SINPROF diz ser prematuro apontar possibilidades de reinício das aulas, particularmente em Junho, tendo realçado que o sindicato também está preocupado com a paralisação das aulas. No entanto, sublinha que nesta fase o bem maior a salvaguardar é a vida.

Redução de alunos nas salas

Sobre a possibilidade de se diminuir o número de alunos nas salas de aulas, um cenário levantado recentemente pela ministra da Educação, Luísa Grilo, o sindicalista entende que esta medida seria difícil de concretizar na prática e questiona onde se encontraria outros espaços para colocar os alunos, quando em condições normais não se consegue meter até 36 alunos por turma, como regem os normativos.

“O prudente é aguardarmos mais um pouco e esperarmos o evoluir da situação. Precisamos ponderar isto e olhar para todos os ângulos para não nos arrependermos depois”.

Aulas em 17 províncias

Dos cenários que se vem levantado fala-se, inclusive, do reinício das aulas nas restantes 17 províncias onde não há registo oficial de qualquer caso positivo da Covid- 19, deixando de fora somente Luanda.

Para o SINPROF, esta possibilidade provocaria a movimentação de muitos alunos, professores e pessoal administrativo, pois, assegura, nem todos residem nas províncias em que estudam e trabalham.

“No Bengo, por exemplo, 70 ou 80% dos alunos que lá estudam têm a sua residência habitual em Luanda, onde neste momento se encontram, junto das suas famílias. O mesmo acontece com os professores e pessoal administrativo. As autoridades desta província sabem que os dados não fogem muito disso”, vaticinou, acrescentando que nas outras províncias os números podem ser inferiores, mas existe o mesmo cenário.

Oportunidade para se voltar ao modelo da UNESCO

O SINPROF diz ter feito consulta aos professores e aos seus secretários nas 18 províncias, sendo que a maioria deles avança como um último e o melhor cenário o reinício das aulas no mês de Setembro. “Esqueceríamos este ano lectivo, mas não se perderia muito, porque teríamos um ano lectivo que começaria em Setembro e terminaria em Junho. Voltaríamos ao modelo antigo que é o da UNESCO, praticado na maior parte dos países do mundo” sugere o sindicalista.

Admar Jinguma explica que o abandono do modelo da SADC (Fevereiro-Dezembro) e o retorno das aulas em Setembro tem sido analisado há algum tempo por muita gente que aponta dois fundamentos: Prevenir a época das secas no Sul do país em que há transumância de pessoas e gado e facilitar a inserção dos bolseiros externos, que por causa da nossa época de aulas ficam submetidos a longo período de espera nos outros países. O responsável sindical disse que o SINPROF já remeteu ao Ministério da Educação (MED) esta sugestão, por considerar esta paralisação a melhor oportunidade para a sua implementação.

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