Familiares do militante morto no XIII congresso da FNLA clamam por justiça

Alegam que, decorridos cinco anos após à morte do seu familiar, o processo nunca foi para julgamento, por razões que dizem desconhecer

Familiares do malogrado militante da FNLA Manuel António, 70 anos, morto a soco por um colega seu do partido, identificado por Herculano Bengue Bibinge, clamam por justiça, decorridos cinco anos.

O grito de socorro é do filho, António Manuel, que desabafou que, desde a morte do seu progenitor, ocorrida no dia 13 de Fevereiro de em 2015, em Luanda, no decurso do XIII Congresso, o processo ficou encalhado no Serviço de Investigação Criminal (SIC) do município de Viana, onde a família apresentou queixa.

Em entrevista a OPAÍS, Simba António Manuel deplorou o facto de até ao momento o caso não ter seguido para julgamento e o acusado ter sido solto pelas autoridades dias depois da morte de António Manuel.

O processo, com o n,º 9-1067/015-DH/N, de acordo com a fonte deste jornal, está parado por alegada influência movida pelo presidente da FNLA, Lucas Ngonda, em defesa do acusado, de que é tio (filho do seu irmão mais novo).

Acrescentou que a situação agravou-se pelo facto de a família e a Associação dos Antigos Combatentes (AAC/ FNLA), de que o malogrado era membro, estarem desprovidos de meios financeiros para contratar um advogado que possa dar seguimento ao caso.

“Nós, a família, não temos dinheiro para arranjar um advogado, e a Associação dos Antigos Combatentes, aque o pai pertencia, também debate-se com o mesmo problema”, disse.

Admitiu que se tivesse um defensor, o processo teria outro rumo, informando ainda que das várias vezes em que se dirigiu ao SIC em Viana para saber do mesmo, nunca obteve uma resposta satisfatória.

Mostrou-se incrédulo por, passado esse tempo todo, o caso não tenha ido ainda a tribunal, o que, segundo a fonte, alimenta suspeitas de o mesmo ter sido “engavetado” por quem decide.

Disse ainda que depois de “ tantas voltas”, a família decidiu não voltar ao SIC até que consiga os préstimos de um advogado, por intermédio de um patrocínio judiciário.

Entretanto, o presidente da Associação dos Antigos Combatentes da FNLA, Lino Ucaca, em declarações a este jornal, sobre o assunto, garantiu que a instituição que dirige está a trabalhar para obter um advogado através da Associação Mãos Livres (AML).

“Vamos solicitar um patrocínio da Associação Mãos Livres e tenho fé que vão atender a nossa petição, porque ela tem um papel interventivo de ajudar os que não têm, como é o nosso caso”, informou.

O responsável revelou que a Associação dos Antigos Combatentes da FNLA enfrenta várias dificuldades de tesouraria, por depender de quotizações dos seus membros, mas que não acontece regularmente devido ao atraso dos seus módicos proventos da pensão de reforma.

Família com dificuldades

Simba Manuel reforçou que, apesar da avançada idade, o seu pai era o responsável pelo sustento da família, revelando que com a sua morte os seus dependentes passam por dias difíceis para se alimentarem e resolver outras necessidades.

Simba Manuel lamentou o facto de a direcção da FNLA remeter-se a um silêncio sepulcral quanto aos apoios que necessita, realçando que o seu progenitor morreu em missão partidária.

“Morreu quando, em companhia de outros militantes veteranos, pretendiam um processo de reconciliação interna do partido, advogado pelo próprio líder da FNLA, Lucas Ngonda”, desabafou.

António Manuel, que fazia parte da ala de Ngola Kabangu, antecessor de Lucas Ngonda na liderança do partido, eleito num congresso que diz ter sido mais democrático, do que o seu sucessor, foi morto quando o grupo de que fazia parte tentou impedir a realização do XIII conclave, mas sem sucesso.

Previsto para as 15 horas daquele dia de Fevereiro, poucos minutos antes do início do congresso, um grupo de apoiantes de Ngola Kabangu irrompeu no recinto com cartazes que impediam o congresso, sem sucesso, daí ter resultado uma contenda que, além da morte de António Manuel fez vários feridos entre os militantes.

Assunto encerrado

Entretanto, o porta-voz da FNLA, Jerónimo Makana, contactado sobre o assunto, minimizou-o, afirmando ser “um caso encerrado”, apesar de lamentar a morte do seu colega do partido.

Sobre o apoio material que a família de António Manuel reclama, alegou que esta se recusa receber, por se rever na ala de Ngola Kabangu, a que o pai também pertencia, desde o início da crise de liderança que dura há 22 anos.

Maria Miranda Cassule

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