SIC desmantela rede de burladores em Cabinda

O Serviço de Investigação Criminal (SIC) apresentou, esta Sexta-feira, em Cabinda, 13 marginais que se dedicavam à prática de clonagem de cartões de débito e burla nas redes sociais

Segundo o director do SIC em Cabinda, Santos Alexandre, os meliantes iniciaram-se nas práticas maliciosas na plataforma de vendas e compras online (OLX).

Nessa plataforma, segundo a fonte, o grupo publicitava artigos diversos, a preços muito abaixo do mercado, aliciando, assim, várias vítimas, que depositavam o dinheiro, sem nunca receberem os bens.

Com o encerramento da plataforma OLX, os malfeitores emigraram para outras redes, nomeadamente o Facebook e WhatAapp.

A ousadia era tanta que os farsantes virtuais chegaram a criar perfis falsos, na rede Facebook, em nome de figuras públicas, pessoas politicamente expostas e até entidades religiosas.

Com os falsos perfis, os criminosos ofereciam oportunidade de emprego, casas, veículos e outros bens, em troca de valores monetários, com depósitos sucessivos e cada vez mais altos, até que a vítima se apercebesse que se tratava de uma burla.

Pelo WatsApp, o “modus operandi” assemelhava-se muito ao usado no OLX, uma vez que, através de contacto telefónico, a vítima era aliciada com fotografias de artigos com preços convidativos, depositava o dinheiro, mas nunca recebia os artigos.

Os mesmos indivíduos, com idades compreendidas entre os 20 e os 30 anos de idade, e que agiam literalmente debaixo da sombra de uma figueira em Cabinda, na chamada “Placa FBI”, também se especializaram em “clonar” cartões, por meio do aplicativo “Multicaixa Express”.

De acordo com Guilherme Luís, um dos protagonistas do golpe, as vítimas geralmente eram pessoas menos avisadas, ou pouco familiarizadas com o uso do cartão Multicaixa (ATM).

Tudo acontecia quando um cidadão incauto pedia ajuda ao marginal para fazer uma consulta ou levantamento, altura em que o meliante ludibriava a vítima e, num momento de distração, associava o cartão ao seu telemóvel, o que levava o malfeitor a ter acesso irrestrito à conta bancaria do titular.

Ainda de acordo com o SIC, no intuito de dificultar o rasteio, os meliantes usavam telefones furtados ou alugados a terceiros, ou procediam à abertura de contas com documentos encontrados na via pública ou de idosos.

Ainda de acordo com os malfeitores, as medidas de segurança do aplicativo não lhes impediam de concretizarem as suas acções, cujos prejuízos chegaram a ultrapassar os 150 milhões de Kwanzas.

Mesmo que não tivessem tempo de memorizar os números do cartão da vítima, bastava um cartão do mesmo banco, para, a partir dos números, e com uma combinação de códigos, ser possível clonar os cartões e cometer crimes.

O SIC lançou um apelo aos bancos sediados em Cabinda, no sentido de procederem às devidas instruções de manuseamento dos cartões, na hora da sua entrega, sobretudo aos clientes menos experientes no uso desta ferramenta.

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