Golfinhos voltam a Moçâmedes

Golfinhos voltam a Moçâmedes

A temperatura (no período de Cacimbo) e a ausência de obstáculos no mar do Namibe foram apontadas, pela bióloga Carmem dos Santos, como factores para a presença de golfinhos na orla marítima da baia de Moçâmedes, nos últimos dias.

Segundo a especialista, que falava à ANGOP, a existência dos dois factores, e o facto de o Namibe ter uma plataforma continental muito curta, torna os mamíferos mais confiantes e motivados na procura de alimentação, levando-os a aproximar-se da costa.

“A sua plataforma desce rapidamente em declive e tem uma profundidade muito grande, mesmo perto da nossa baía, entre sete a 14 metros de profundidade, factor que poderá estar associado aos cardumes de peixes, dai a razão da presença destes mamíferos”, reforçou a bióloga.

Por outro lado, a bióloga aponta a presença de matérias nocivas, entre os quais óleo e gasóleo, como causa da ausência deste mamífero na costa marítima angolana por muito tempo.

“Quando os barcos deixarem de deitar óleo e combustível no mar até os peixes virão buscar alimentos, os invertebrados como pequenos organismos (polequetas, moluscos) e os golfinhos poderão estar sempre presentes e dar uma alegria a todos aqueles que gostam de apreciar o mar“, avançou.

Informou que junto a baía de Moçâmedes existe uma boa população de chocos, factor que também pode contribuir para a cadeia alimentar deste mamífero.

Para a especialista, as condições ecológicas e climáticas permitem a presença de golfinhos na zona do Flamingo (Tômbwa ) e na comuna da Lucira, explicando que os golfinhos mantêm hábitos migratórios periódicos para a procura de alimentação, alternando o seu habitat várias vezes ao ano.

Em termos de turismo sustentável, Carmen dos Santos apontou a necessidade de se apostar neste ramo com a realização de uma série de actividade turísticas, permitindo que o visitante, turista, investigador e outros possam fazer a sua observação e identificação da espécie.

Ao longo da costa do Namibe, segundo a fonte, existem várias espécies de golfinhos que devem ser estudadas, para uma informação mais detalhada e precisa, em termos de conhecimentos científicos marinhos.

Para a classe empresarial, aconselhou o investimento na atracção turística junto da orla marítima, contribuindo na criação de empregos e na diversificação da economia nacional.