Paciente alegadamente estável morre de Covid-19

Um dia depois de ter anunciado que os pacientes de Covid-19 internados nas unidades hospitalares de referência estavam clinicamente estáveis, as autoridades sanitárias surpreenderam ontem a sociedade ao anunciarem a morte de um deles

O secretário de Estado para a Saúde Pública, Franco Mufinda, anunciou, ontem, à imprensa, a morte de um dos pacientes de Covid-19 internados, sem avançar mais detalhes a respeito. O governante também revelou que foi detectada a existência do vírus no organismo de um cidadão angolano, de 43 anos de idade, residente no distrito urbano de Luanda.

O novo paciente terá sido contaminado por uma das pessoas que já se encontra em confinamento, de acordo com as autoridades sanitárias. Em consequência, 14 contactos directos seus passaram a estar sob vigilância.

“Sendo assim temos um total de 61 casos, dos quais quatro óbitos, 18 recuperados, 39 activos internados e clinicamente estáveis”, detalhou na habitual apresentação diária do balanço da situação epidemiológica no país.

Segundo o governante, até ao momento, foram investigadas 449 pessoas suspeitas de serem portadoras deste vírus que já matou milhares de pessoas no mundo, estando ainda 1.194 pessoas sob investigação e vigilância.

1.056 pessoas encontram-se em 1.056 pessoas encontram-se em quarentena

Segundo o governante, 1.056 pessoas encontram-se em quarentena institucional, ao passo que no que tange às altas, nas últimas 24 horas 20 pessoas foram dispensadas dos cuidados médicos, sendo 11 na província de Luanda, quatro na Lunda-Norte, Zaire e Bié com duas cada uma, e uma em Malanje.

Franco Mufinda salientou que, em termos laboratoriais, o Instituto Nacional de Investigação em Saúde (INIS) conseguiu um acumulado de 10 mil amostras colhidas, das quais 61 foram positivas, 6.752 negativas e 445 se encontram em processamento.

“A este respeito, informamos também que se encontram em processamento as amostras das cercas sanitárias do Hoji ya Henda e do Futungo que, pensamos nós, nas horas subsequentes havemos de divulgar os resultados das cerca sanitária do Futungo”, disse. Entretanto, o Centro Integrado de Segurança Pública (CISP) registou 51 chamadas, das quais quatro denúncias por contacto directo e 47 foram relacionadas com pedidos de informação sobre a Covid- 19.

Reagentes para mais 50 mil testes no país

O Ministério da Saúde passou a contar, desde ontem, com cerca de 26 toneladas de diversos materiais de biossegurança e hospitalar, entre os quais reagentes para 50 mil testes de diagnóstico, provenientes da China, para reforçar as medidas de prevenção e combate à Covid-19.

Sílvia Lutukuta, titular da pasta, declarou à imprensa que o Governo está a fazer um esforço para garantir que o país esteja em condições de fazer face à Covid-19.

“Neste combate, os materiais de biossegurança são peças fundamentais e essenciais. Por esta razão, temos assistido à chegada de vários vôos com materiais de biossegurança que incluem máscaras cirúrgicas, as N95, fatos de nível três e quarto, batas, botas, tocas, viseiras, termómetros e camas”, enumerou.

Num vôo anterior, disse, chegaram dois equipamentos que vão reforçar a capacidade de testagem, sublinhando que aguarda-se pela chegada dos reagentes para iniciar a testagem de cerca de 50 mil pacientes.

“Vamos continuar a fazer esse esforço porque, por um lado, temos que proteger os profissionais de saúde que atendem os casos e fazem a busca activa”, frisou. Reiterou a importância destes meios para a gestão dos casos em tratamento e vigilância epidemiológica.

“Estamos a adquirir para garantir que os nossos profissionais de saúde estejam protegidos, assim como os pacientes e as suas famílias. Este material é para distribuição ao nível nacional e já começamos a distribuir para as províncias”, contou.

A titular da pasta da Saúde fez saber que na passada Quinta-feira foi levado material de biossegurança para a província de Cabinda, e na Sexta-feira foi contemplada a Lunda-Sul, sendo que Luanda receberá na Terça-feira.

Ela disse que os governadores provinciais enviaram viaturas para o transporte e aquelas províncias que tiverem os meios da Cecoma também por via terrestre farão chegar.

Por outro lado, destacou a parceria estratégica que tem com o Ministério da Defesa, não só no âmbito da Comissão Multissectorial como também um parceiro fundamental das acções do sector da Saúde.

“Eles vão apoiar-nos com os meios de transporte, principalmente por via aérea para aquelas províncias em que há mais dificuldades no seu acesso. E essa distribuição será feita ao nível nacional e ainda essa semana”, garantiu.

A mercadoria que faz parte do lote de 380 toneladas, provenientes da China. Sílvia Lutukuta fez saber a partir do Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro que o país já recebeu até ao momento 160 toneladas.

Jornalistas alvos de excesso de zelo no Aeroporto

Um grupo de jornalistas de vários órgãos do país foram, ontem, impedidos de entrar no Aeroporto 4 de Fevereiro para fazer a cobertura da recepção dos materiais de biossegurança que chegaram ao país.

O funcionário do aeroporto alegou que a imprensa não podia ter acesso à placa por não disporem de coletes de identificação. Apesar de estarem devidamente identificados com os passes de serviço, a falta de coletes acabou por determinar o afastamento dos profissionais da comunicação social.

Por outro lado, a ministra da Saúde garantiu que, brevemente, os jornalistas serão testados no quadro da testagem comunitária.

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