Angola soma mais oito casos confirmados de Covid-19, perfazendo 69

O país registou, nas últimas 24 horas, oito novos casos de transmissão local de Covid-19, perfazendo um total de 69 casos confirmados, com quatro óbitos e 18 recuperados. O “Caso 26” testou negativo num primeiro exame e o “Caso 50” infectou já duas pessoas revelou, ontem, a ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta

As idades dos oito contagiados, segundo a ministra Sílvia Lutukuta, vão de um a 79 anos, sendo sete destes casos testados no interior da cerca sanitária do Futungo e um na Clínica Multiperfil que também presta assistência a casos de Covid-19.

Sílvia Lutukuta, que falava durante a apresentação do balanço diário sobre a pandemia no CIAM, em Luanda, disse que, do ponto de vista do vínculo epidemiológico, os sete casos da cerca sanitária do Futungo têm relação com um dos casos importados e, nesse momento, são todos assintomáticos.

Mediático “Caso 26” testa negativo

Sílvia Lutukuta deu a conhecer que o cidadão referenciado como “Caso 26”, a par da situação vivida no Futungo, é também a fonte de contágio de um sector do bairro Cassenda que foi submetido a quarentena, entretanto, já levantada. O referido paciente regressou de Portugal no vôo do dia 18 de Março e violou a quarentena domiciliar.

“Só no Futungo, onde se mantém a cerca sanitária, já infectou 26 pessoas. Já fizemos um primeiro teste que deu negativo”, disse a ministra da Saúde, sublinhando que o mesmo pode ter alta médica nos próximos dias, se este quadro se mantiver até nova análise negativa, dentro de uma semana.

“Temos um caso da clínica privada que tem relação com o “Caso 50”, paciente falecido aos 88 anos de idade, que partilhava a mesma enfermaria com este novo caso de contágio”, frisou.

A Clínica Multiperfil é um dos centros de referência para tratamento da Covid-19, e o primeiro caso positivo surgiu numa enfermaria normal.

“Como sabem, a Covid não avisa e, por vezes, tem manifestações muito atípicas e no âmbito do rastreio das síndromes respiratórios agudos graves ou agravamento das doenças pulmonares crónicas súbitas e foi assim que se chegou ao diagnóstico do primeiro caso”, explicou.

Ela assegurou, entretanto, que não há negligência no tratamento dos pacientes e que tudo se tem feito para garantir o melhor tratamento dentro das normas estabelecidas, tanto no sector público quanto no privado.

Doente infectado pelo “Caso 50” considerado de risco

A ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta, esclareceu também que o doente infectado pelo “Caso 50”, na Multiperfil, apresenta um quadro preocupante, uma vez que padece de um cancro em fase avançada, insuficiência renal aguda e está, por esta altura, com diagnóstico de Covid-19 associado.

“É importante dizer aqui que é um doente considerado de risco, mas não tem, por esta altura, nenhuma manifestação clínica associada à Covid-19”, esclareceu.

Sílvia Lutukuta lembrou que no dia 19 deste mês foi imposta uma cerca sanitária na Clínica Multiperfil após o diagnóstico positivo do “Caso 50” e, como medida de saúde pública e de vigilância epidemiológica e laboratorial, todos os pacientes e profissionais de saúde que estão dentro desta cerca sanitária estão a ser testados e avaliados.

“Caso 50” já infectou mais dois, tendo um deles resultado em morte

Por outro lado, referiu que o “Caso 50”, falecido aos 88 anos de idade, tinha doença pulmonar obstrutiva crónica que se agravou substancialmente com a Covid-19. No âmbito do rastreio que têm estado a fazer a todas as síndromes respiratórias graves foi testado com resultado positivo e, por essa razão, foi colocada a cerca sanitária neste local.

No decurso do internamento do “Caso 50”, foram infectados mais dois doentes que partilhavam a enfermaria, um deles relatado no dia 23 pelo secretário de Estado que, infelizmente, resultou em óbito.

Fez saber que se tratava de um doente de 43 anos de idade com insuficiência renal crónica terminal com falência de todos os acessos vasculares e que estava preparado para fazer diálise peritoneal.

“Infelizmente, evoluiu para óbito no dia em que obtivemos o diagnóstico, não tendo sido passada a informação clínica ontem por falta de alguns detalhes”, esclareceu.

A titular da pasta da Saúde disse que o mapeamento dos casos de síndromes respiratórias continua a ser feito também nas unidades públicas em todo o país.

Sílvia Lutukuta reiterou que a Covid-19 é uma doença que pode ser multi-sistémica, pode ter complicações muito graves que pode levar à morte de doentes assintomáticos e estáveis.

Acrescentou que a estabilidade referida não pressupõe que esteja fora de perigo, mas que o seu estado clínico não evoluiu nem para pior e nem para melhor, mas que pode mudar drasticamente, tendo em conta que na Covid-19 a evolução clínica é muito imprevisível e o estado do doente pode mudar de forma repentina.

Assim sendo, o país tem um total de 69 casos, quatro óbitos, 18 recuperados e 47 casos activos. Por outro lado, já se registaram 41 casos de transmissão local e 28 importados.

Sobre as análises clínicas de casos suspeitos e não só, Sílvia Lutukuta explicou que o Instituto Nacional de Investigação em Ciências da Saúde continua com o processo de testagem. “Foram colhidas mais de 10 mil amostras que estão em processamento. Já temos 6.978 resultados negativos e 69 positivos. Temos 1.059 em quarentena institucional”, disse, acrescentando haver 462 pessoas que são casos suspeitos de contactos dos casos positivos que estão em investigação.

Apesar do aumento de casos, o país continua sem circulação comunitária do vírus

Sílvia Lutukuta esclareceu as dúvidas sobre a possibilidade de se estar já em fase de contaminação comunitária, em função da indecisão da proveniência da infecção do “Caso 50”, relacionado com a terceira perda de vida, que originou ainda a morte do quarto paciente.

Fez saber que investigações feitas ao “Caso 50” pela equipa de vigilância epidemiológica concluíram tratar-se de um caso importado e já têm os contactos directos, tendo já sido feitas investigações no seio da família, e alguns resultados testaram negativos, mas as investigações continuam para se identificar outros contactos dos contactos.

A ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta, disse ainda que a capacidade de testagem do país continua em média a ser de 400 testes por dia.

Vamos entrar em estado de calamidade, mas não se vai baixar a guarda

Questionada sobre o mecanismo que o Executivo tem para controlar o cumprimento das medidas no estado de calamidade, Sílvia Lutukuta disse que apesar desta iniciativa legislativa, não se vai baixar a guarda e reiterou que as medidas sanitárias estarão salvaguardadas e as autoridades sanitárias vão continuar a ter as suas responsabilidades, estando salvaguardados os direitos do cidadão.

Lembrou que diante de uma situação de doença, de saúde e de emergência sanitária, continua em vigor um instrumento muito forte que é o Regulamento Sanitário Nacional e Internacional.

“As mediadas de protecção individual e colectiva serão cumpridas e nós vamos, sempre que necessário, continuar a ter o poder de colocar cercas sanitárias, fazer o internamento compulsivo das pessoas, colocar pessoas em quarentena e tomar todas as medidas sanitárias que temos”, revelou.

A governante admitiu que houve um relaxamento nas medidas, mas foi preciso aumentar as restrições. “Nós podemos aumentar as restrições, mas, por enquanto, entraremos em estado de calamidade e depois logo vamos fazer as devidas avaliações, de acordo com a evolução da doença”, disse.

Quanto à mortalidade disse que o país previa, entre Junho e Julho, uma cifra de cerca de 10 mil casos. No geral, apontava- se que numa situação descontrolada, 85 por cento dos casos são assintomáticos e cerca de 14 por cento de moderados graves.

“E teríamos 5 por cento críticos e, numa avaliação descontrolada, em estado crítico teríamos 600 pacientes a precisarem de ventilação. Por esta altura, já se teria mais de 4 mil casos. Vamos trabalhar no sentido de cortar a cadeia de transmissão para não termos casos críticos”, frisou.

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