MPLA e UNITA com visões opostas sobre o balanço do quarto estado de emergência

Uma mobilização geral da sociedade angolana no cumprimento e respeito ao confinamento social, situação que permitiu que houvesse, até hoje, reduzidos casos positivos da Covid-19. Já a UNITA afirma não ser bem assim e que só não há mais casos positivos no país porque as autoridades sanitárias recusam- se a fazer uma testagem mais alargada da população

Findo o cumprimento, hoje, do quarto período de estado de emergência, que iniciou no passado dia 11 do mês curso, o balanço divide o MPLA e a UNITA, os dois maiores partidos do panorama político nacional.

Decretado pelo Presidente da República, João Lourenço, pela quarta vez consecutiva, para conter a proliferação da pandemia da Covid-19, o ciclo que termina hoje conheceu o alívio de algumas medidas económicas, sobretudo na venda informal.

Na altura da decretação, o Presidente João Lourenço disse que a prorrogação do estado de emergência impunha-se, atendendo que persistiam os riscos de alta contaminação.

De lá para cá, decorridos 15 dias, o MPLA, na voz do seu secretário nacional para a Informação, Albino Carlos, em entrevista ao OPAÍS, diz que o balanço que se pode fazer é positivo, pelo facto de o ciclo que hoje termina ter registado avanços que permitiram a salvaguarda da vida humana e da actividade económica do país.

Albino Carlos diz que estes avanços só foram possíveis por ter havido, a nível nacional, uma mobilização geral de toda a sociedade no cumprimento e respeito das medidas de confinamento social.

Conforme explicou, os partidos políticos, as organizações da sociedade civil, as famílias e outros segmentos da sociedade angolana juntaram-se em prol de um único objectivo, que foi o respeito das medidas sanitárias, tendo este feito possibilitado o alcance dos objectivos que estiveram na base da prorrogação, pelo Presidente da República, por três vezes, do estado de emergência.

Para o secretário de Informação do MPLA, o respeito pelas normas estabelecidas pelas autoridades sanitárias permitiram que o país registasse um número pequeno da Covid-19, na ordem dos 61 casos (contagem de ontem), apesar da morte de 04 cidadãos nacionais.

Porém, pondo os aspectos negativos de lado, o que é normal em qualquer processo, disse que os ganhos acabaram por ter um impacto maior, o que possibilita fazer um balanço positivo do período que hoje termina.

“É impossível negar o sucesso na hora de balanço. Hoje, o país regista poucos casos da Covid-19 porque houve uma mobilização geral. E é preciso reconhecer a antecipação do Governo a esta doença”, frisou.

Unidade é maior

Ainda de acordo com Albino Carlos, desde o primeiro Decreto do período de emergência, o país tem registado um nível acentuado de unidade nacional, sobretudo entre os políticos. Conforme explicou, mesmo a nível do Parlamento as ideias têm sido centradas na unidade dos angolanos, independentemente da cor partidária.

Porém, no seu entender, essa unidade de pensamento e de ideias traduz o espírito real dos angolanos, que, nos momentos mais difíceis, sempre optaram por defender os factores que mais os unem dos que os separam.

“É um sinal de que estamos sempre juntos, independentemente das nossas posições. E a Covid-19 veio, mais uma vez, ensinar que somos apenas um país uno e indivisível nos momentos mais difíceis”, apontou.

UNITA com outra visão

Por seu lado, o vice-presidente do Grupo Parlamentar da UNITA, Maurílio Luiele, disse que o seu partido tem uma visão completamente diferente do partido no poder.

Segundo o também deputado, não é verdade que houve respeito e cumprimento das medidas sanitárias. Maurilio diz que, sobretudo nas zonas periféricas, houve um descontrolo das medidas sanitárias, o que terá posto em risco a vida de muitos cidadãos.

De acordo com o político, a falta de cumprimento das populações das medidas sanitárias prende-se com o facto de a grande maioria depender da informalidade para sobreviver, o que obriga as pessoas a estarem largas hora nas ruas.

Porque, se houvesse, da parte do Estado, uma política séria de apoio aos mais vulneráveis, com a distribuição de bens alimentares e outros de primeira necessidade, frisou, talvez as medidas fossem mais respeitadas e cumpridas na íntegra.

Para Maurílio Luiele, o país só dispõe dos actuais 61 casos positivos porque as autoridades sanitárias não têm levado à sério a necessidade de testagem alargada da população, como tem acontecido noutros países.

“Como podemos nos contentar com os números actuais se a nível das comunidades não há uma testagem alargada, quando até os maiores casos positivos que temos são de pacientes assintomáticos?”, questionou.

“Execesso da força mancha período”

Por outro lado, vice-presidente do Grupo Parlamentar da UNITA condenou, durante a vigência do quarto período do estado de emergência, o “uso excessivo e desnecessário da força por parte dos agentes da ordem e defesa nacional contra os cidadãos indefesos”.

Segundo Maurílio Luiele, durante o período houve, da parte dos agentes, a interpretação errada dos normativos que regularam o estado de emergência. Essa má interpretação, frisou, fez com que muitos efectivos da Polícia Nacional recorressem ao desnecessário uso de instrumentos contundentes que feriram e até mesmo tiraram a vida de angolanos indefesos.

“Essas situações, adicionada a outras, acabaram por manchar o quadro de estado de emergência que agora está a terminar. Face a isso, podemos considerar que o balanço é negativo”, lamentou.

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