Carta do leitor: Comerciantes sem TPA

Carta do leitor: Comerciantes sem TPA

Por: Almeida Paulo
Luanda

Tornou-se quase uma tradição, hoje, os luandenses fazerem as suas compras nos mercados abastecedores, a maioria dos quais dominados por cidadãos libaneses e até oeste-africanos. É assim em zonas como as do São Paulo, Congoleses, Hoji ya Henda e Viana, onde proliferam estes estabelecimentos que comercializam bens de primeira necessidade.

Na passada Quinta-feira desloquei-me à conhecida zona do Calemba 2, em Luanda, no distrito do Kilamba Kiaxi, para adquirir um saco de arroz, outro de fuba de milho, óleo vegetal e massa alimentar, mas acabei por não conseguir, por uma situação quase caricata. Com pouco mais de 15 mil Kwanzas no bolso e dada a enchente que se observa nas agências bancárias, dirigi-me aos referidos estabelecimentos na esperança de que com o cartão multicaixa poderia comprar os produtos que tanto desejava.

Curiosamente, depois de ter entrado no primeiro estabelecimento, uma das empregadas garantiu que o multicaixa não estava em funcionamento. Garantia que só teriam o assunto resolvido alguns dias depois.

Insatisfeito, ainda questionei a jovem se nas outras lojas seria possível comprar usando o cartão. Por ironia do destino, nem na segunda e muito menos na terceira loja encontrei um terminal de pagamento automático (TPA) disponível e a desculpa foi a mesma que recebi no primeiro estabelecimento. Durante alguns meses escutava que era difícil encontrar em muitos destes estabelecimentos um TPA. É uma prática recorrente que faz com que se levante suspeitas sobre as actividades exercidas por alguns destes empresários e o destino que dão aos montantes que recebem.

Não é possível que se insista que as pessoas que queiram comprar mercadorias, algumas das quais em quantidades que envolvem grandes montantes financeiros, tenham que o fazer unicamente com dinheiro sonante e não o contrário.

Agora, não espanta que muitos destes empresários ou comerciantes sejam vítimas de roubos, porque preferem sempre andar com elevadas somas, perigando não só as suas próprias vidas, como também as daqueles que tiverem o azar de passar pelos mesmos caminhos que eles.

O Serviço de Investigação Criminal deve investigar as razões por trás desta insistente recusa dos mesmos comerciantes. Está mais do que visto que não se trata de falta de apoio dos bancos, mas sim de interesses inconfessos por parte destes.