O desempenho das contas externas

As relações comerciais de Angola com as outras economias continuam a apresentar uma trajectória desafiante, em consequência, principalmente, do desequilíbrio do sector petrolífero. O registo comercial manteve-se superavitário em 2019, com a China (21.083,13 milhões USD) e a Índia (3.579,82 milhões USD), sendo que os principais défices corresponderam a Portugal (984,89 milhões USD) e Coreia do Sul (907,77 milhões USD), de acordo com dados divulgados pela Bloomberg

A redução significativa da cotação internacional do crude que tem se verificada desde o último semestre de 2014, contribuiu para que no fecho do ano em análise, a Balança de Pagamentos registasse um défice de 3.919,7 milhões USD, uma diminuição de 3.705,6 milhões USD em comparação a 2013 e após ter registado superavite de 4.126,4 milhões USD em 2012, segundo dados do BNA.

O saldo da Balança de Pagamentos referente a 2019 fixou-se em 988,9 milhões USD, que representa uma melhoria comparativamente ao défice de 519,6 milhões USD referente ao ano anterior e representa o primeiro superavite desde 2016, quando se fixou em 403,7 milhões USD. O registo de 2019 reflecte o desempenho positivo da Conta Corrente em 5.137,4 milhões USD, que representa o segundo ano consecutivo de superavite, no entanto representa uma moderação anual de 2.265,2 milhões USD.

A deterioração anual da Conta Corrente apresenta como principais causas o agravamento da Balança Comercial em 4.361,4 milhões USD, para 20.598,5 milhões USD em 2019 e a melhoria da Conta de Serviços em 1.740,7 milhões USD, para -7.717,7 milhões USD, no ano em análise.

Na perspectiva Comercial destaca-se a redução das Exportações em 6.032,2 milhões USD, para 34.725,6 milhões USD, com o sector Petrolífero a corresponder a 96% do total e o não petrolífero o remanescente, sendo que esta última rubrica registou incremento de 11,3 milhões USD, ao fixar-se em 1.360,4 milhões USD, o terceiro aumento anual consecutivo, em que os Diamantes representam 89% do total e o aumento poderá reflectir a estratégia denominada Operação Transparência, de regulamentação do sector diamantífero em curso no país desde Setembro de 2018.

A Conta de Serviços caracteriza-se pela melhoria de 1.740,7 milhões USD, tendose fixado num défice de 7.717,7 milhões USD em 2019, que reflecte a moderação do recurso aos Serviços de Reparo e Manutenção importados, com destaque para os sectores de Transporte, Petrolífero e Construção.

A Conta de Capital e Financeira apresentou melhoria de 4.547,5 milhões USD, o primeiro incremento desde 2015, para um défice de 3.216,7 milhões USD em 2019. A trajectória da Conta reflecte principalmente o registo do Investimento Directo Estrangeiro Líquido cujo défice diminuiu em 4.712,7 milhões USD, ao fixar-se em 1.749,1 milhões USD. Em consequência do aumento das entradas de recursos em 2.952,5 milhões USD, para 10.488,3 milhões USD em 2019 – em que os recursos destinados ao sector petrolífero mantêm-se em destaque ao beneficiar de 71% das entradas de recursos -, sendo que as saídas de recursos reduziram em 1.760,2 milhões USD, ao fixarem-se em 12.237,3 milhões USD.

A trajectória positiva da Balança de Pagamentos influencia na redução das necessidades de financiamento, com impactos sobre a preservação das Reservas Internacionais, uma melhoria adicional, ao considerar-se que a depreciação cambial em curso tem contribuído para a moderação da procura por moeda estrangeira para actividades não essenciais. Destaca-se que, na comparação anual, as Reservas Internacionais Brutas aumentaram 1.041 milhões USD, ao fixarem-se em 17.211 milhões USD em 2019 e as Reservas Internacionais Líquidas aumentaram 1.066 milhões USD, tendo-se fixado em 11.712 milhões USD.

Para 2020, o desempenho da Balança Comercial deverá ser pressionado pelos impactos da Pandemia da COVID-19, que poderá contribuir para a moderação do fluxo de Investimentos.

Por outro lado, refere-se que a redução do consumo e produção mundial já têm pressionado a cotação do crude, que registou uma redução de 47% do último dia de 2019 ao último dia da terceira semana de Maio, tendo se fixado em 35 USD/barril, que associada à redução da produção petrolífera que tem se registado e é exigida pelo novo acordo entre a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados, que poderão pressionar a Balança Comercial – a principal componente superavitária da Balança de Pagamentos-, tendo-se em consideração a representatividade do sector petrolífero.

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