ACC apela ao Governo a implementar políticas assertivas para acabar com a fome

ACC apela ao Governo a implementar políticas assertivas para acabar com a fome

Falando a O PAÍS, a propósito da distribuição pelo Governo de uma cesta básica e de um valor de 8 mil e 500 kwanzas às famílias mais necessitadas de todo o país, o líder da ACC, Jacinto Pio Wakussanga, disse que a iniciativa é louvável, mas peca por não resolver o problema na totalidade.

Na sua opinião, as comunidades precisam de um apoio para elas próprias produzirem em abundância e aproveitarem o excedente para comercializarem e obterem dinheiro para comprar outras coisas de que necessitam.

Reforçou que a actual distribuição da cesta básica é uma medida paliativa para as famílias em estado de vulnerabilidade, sugerindo que caso o Governo pretenda acabar com a fome e a pobreza deve traçar políticas para médio ou longo prazo.

“Temos estado a dizer que esta política não serve para acabar com a fome e nem com a pobreza, porque não é eficaz”, disse o também sacerdote e pároco da Missão Católica dos Gambos, com sede no Chiange.

O responsável entende que, nesta fase em que o país enfrenta a Covid- 19, a cesta básica deveria ser distribuída de acordo com as necessidades qualitativas e quantitativas das famílias mais vulneráveis.

Na mesma senda, disse ser irrisório o valor que está a ser disponibilizado para as famílias mais necessitadas para dar respostas às prementes necessidades básicas, apesar de não avançar nenhuma proposta do quanto se deve contemplar para cada família.

Acabar com fome

Para se acabar com a fome em todo o país, Pio Wakussanga, activista social e sociólogo, com estudos dedicados ao desenvolvimento comunitário, aponta a aposta na agricultura como sendo a única via para se acabar com a fome em todo o país.

Sustentou que o país todo possui terras aráveis e uma vasta bacia hidrográfica para a prática da agricultura mecanizada ou familiar, pelo que o Governo deve voltar a apostar neste sector, caso pretenda combater a fome e a pobreza.

Recordou que a “agricultura é a base e a indústria é o factor decisivo”, daí a necessidade de o Governo olhar para a agricultura, justificando que a maior parte da população angolana é camponesa, e a que mais pobreza enfrenta.

Situação agrava-se nos Gambos

Em declarações a OPAÍS, Pio Wakussanga informou que a fome e a pobreza agudizaram-se no município dos Gambos desde a vigência do estado de emergência, decorrente da Covid-19, que limitou a circulação de pessoas.

Deplorou que a situação poderá agudizar-se também com o estado de calamidade que já está a vigorar desde ontem, numa região cuja terra é árida e sequiosa, associada à estiagem prolongada que enfrenta nos últimos anos.

“A fome crónica e a fome aguda ainda vão continuar por muito tempo nos Gambos”, alertou, sendo urgente o Governo da Huíla e os parceiros sociais redobrarem a assistência às famílias mais vulneráveis das comunidades desta circunscrição.

Fez saber ainda que mais de 600 cabeças de gado pereceram em toda a região, realçando que na fase da transumância muitos pastores voltaram à casa com metade ou menos ainda de animais.

Maria Miranda Cassule