Bebé de dois meses testa positivo à Covid-19

O país registou ontem o mais novo caso de Covid-19. Trata-se de um bebé de dois meses de idade, residente no perímetro onde foi instaurada a cerca sanitária do bairro Hoji ya Henda, no município do Cazenga, em Luanda, elevando a contagem para 71 casos confirmados, revelou a ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta

Nas últimas 24 horas, Angola registou mais um novo caso de Covid-19, perfazendo um total de 71 casos confirmados, havendo quatro óbitos, 18 recuperados e 49 casos activos clinicamente estáveis em unidades sanitárias de referência.

Sílvia Lutukuta, que falava na habitual actualização dos dados sobre a pandemia no país, esclareceu que a mãe do bebé infectado se encontra negativa, mas teve bastante convívio na área com alguns contactos e com casos positivos. Entretanto, referiu que continua a investigação no seio da família e de outros contactos.

“Cumprimo-nos informar que temos mais um caso positivo. O mais novo caso até ao momento dos casos positivos que temos, trata-se de uma criança do sexo masculino de dois meses de idade, que foi testado na cerca sanitária do bairro Hoji ya Henda”, revelou.

A titular da pasta disse ainda que do ponto de vista de vigilância epidemiológica, as equipas continuam no terreno a trabalhar, a fazer a supervisão dos centros de quarentena, das unidades sanitárias, bem como o acompanhamento necessário às cercas sanitárias do Futungo, do Hoji ya Henda e da Clínica Multiperfil.

Em relação aos testes, Sílvia Lutukuta fez saber que por essa altura o país tem o registo de 7.580 amostras negativas, 71 positivas e 731 se encontram em processamento.

Disse ainda que 1.092 pessoas observam a quarentena institucional em todo o país, enquanto a cifra dos contactos sob vigilância e acompanhamento, por terem mantido contactos com portadores do vírus detectados, é de 1.213 pessoas e 453 são casos suspeitos em investigação.

Entretanto, disse que se continua a trabalhar no sentido de se garantir que estão assegurados os meios de bio-segurança a nível nacional. Por lado, continuam a chegar aviões de carga com diversos materiais de biossegurança.

A governante fez saber que hoje vai chegar mais um voo com diversos materiais, garantiu que os mesmos estão a ser distribuídos a nível nacional. Entretanto, ontem, fez-se a entrega nas províncias de Luanda, Lunda-Norte e Moxico e nos próximos dias far-se-á chegar os meios de bio-segurança a todas as províncias.

“Continuamos aqui a apelar às medidas de protecção individual e colectiva, o uso da máscara facial. A etiqueta respiratória, o distanciamento entre as pessoas e também ficar em casa se não tiver necessidade de estar na rua”, apelou.

Angola já faz testagem em massa aleatória

Sílvia Lutukuta explicou que a Covid-19 é uma pandemia que afecta todos os continentes, sendo um inimigo invisível e letal. Por esta razão, se continua a tomar medidas para evitar a progressão da doença no país. Uma situação que dependerá do trabalho de pessoas indivíduas e colectivas.

A porta-voz da Comissão Multissectorial para o Combate à Covid- 19 esclareceu, em conferência de imprensa, que o país inicialmente fazia 91 testes por dia e agora se estão a realizar mais de 400 testes por dia. Isso por conta do tipo de equipamentos que se tem para testagem.

Entretanto, disse que se está a fazer um esforço para se conseguir plataformas de alto fluxo, com maior capacidade de testagem, mas há enfrentam dificuldades, por se estar num mercado fechado, onde tais equipamentos não existem para aquisição imediata.

Fez saber que o país está na fila para fazer esta aquisição, sendo que se desencadearam várias diligências junto das agências internacionais, bem como junto dos fabricantes.

“Temos de aceitar que já aumentamos a nossa capacidade. Estamos, sim, a fazer testagem aleatória em todas as províncias e em vários grupos, como profissionais de saúde, doentes com doenças respiratórias crónicas e outras doenças agudas que se agravam subitamente”, frisou.

Por outro lado, esclareceu que, apesar de alguns exames aleatórios, se está a fazer também testagem em massa aleatória nas cercas sanitárias que abarcam essencialmente grupos específicos.

Excluídos três dos seis portugueses supostamente contaminados em Angola

A ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta, revelou que dos seis indivíduos de nacionalidade portuguesa supostamente infectados pelo novo Coronavírus em Angola, três estão descartados dessa hipótese, apesar de terem saído do país numa altura em que já se registava casos positivos de Covid-19.

“Temos estado a trabalhar com as autoridades portuguesas e podemos adiantar já que três casos foram excluídos e há três casos que eles continuam à procura de informação.

As normas do regulamento sanitário internacional estabelecem a obrigatoriedade dos Estados, quando têm casos positivos provenientes de um país, informar”, disse.

Por outro lado, salientou que há um compromisso do Ministério da Saúde de Portugal de partilhar esta informação com a parte angolana, para fazerem a investigação, sendo que os três excluídos foram infectados em Portugal e os restantes três se está por apurar.

Cidadãos que não usarem máscaras serão sancionados

O director do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa do Ministério do Interior, sub-comissário Waldemar José, apresentou as medidas a serem aplicadas pelos órgãos de Defesa e Segurança, a partir das próximas horas, a pessoas que se recusarem a usar mascaras em determinados locais públicos.

Para esses casos, explicou, a nova Lei de Base de Protecção Civil, no seu Artigo 29º, prevê o crime de desobediência, em conformidade ao estabelecido no Decreto Presidencial 142, que no seu artigo 42.º também prevê o crime de desobediência. Entretanto, disse que, apesar de alguma flexibilidade, o novo Decreto Presidencial não determina a retirada por completo de limitações e algumas serão aplicadas pelas forças de defesa e segurança.

Waldemar José explicou que em caso de incumprimento das disposições previstas no novo Decreto o Presidencial, o cidadão estará a incorrer ao crime de desobediência. E essa desobediência, verificada por um órgão de Polícia em flagrante delito, dá imediatamente a legitimidade de se proceder à detenção do mesmo e levantar o auto de notícia. Depois conduzir-se-á, no mais curto espaço de tempo, o cidadão ao tribunal, para julgamento sumário.

Assim sendo, explicou que o Decreto Presidencial prevê o uso de máscara em locais de acesso público, aos serviços de táxis ou outros recintos referenciados nas normas, o cidadão que incumprir será impedido de aceder a estes locais, como uma primeira medida de Polícia. Se houver resistência, estará perante dois crimes: um de desobediência e outro de resistência.

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