O “arsenal” do Executivo para combater eventual aumento de doentes com Covid-19

O “arsenal” do Executivo para combater eventual aumento de doentes com Covid-19

Apesar de a implementação do estado de calamidade, que entrou em vigor ontem, não significar um afrouxamento da prevenção da Covid-19, mas uma estratégia de adaptação que se vai manter por tempo indeterminado, como afirmou o ministro de Estado e chefe da Casa Civil, Adão de Almeida, os preparativos para responder a um eventual aumento de doentes continua.

O hospital de campanha, que está a ser instalado em duas naves desocupadas da Zona Económica Especial (ZEE), em Viana, terá capacidade para mais de 600 pacientes, atendendo a quantidade de camas a serem instaladas. Os leitos hospitalares fazem parte dos equipamentos que o Governo adquiriu recentemente na República Popular da China.

Ainda neste âmbito de prevenção, contará com milhares de reagentes de testes de diagnóstico ao novo Coronavírus. Prevê-se estender a capacidade de testagem para além de Luanda, onde actualmente são feitos no Hospital Militar, no Instituto de Investigação em Ciências da Saúde, no Instituto Nacional de Luta Contra a SIDA e no Hospital Esperança.

Conforme noticiou OPAÍS na edição de Domingo, a ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta, garantiu, em declarações à imprensa, aquando da chegada de cerca de 26 toneladas de materiais diversos de bio-segurança e hospitalares, de que fazem parte os 50 mil reagentes, que o Governo está a fazer um esforço muito grande para garantir que o país esteja em condições de fazer face à Covid- 19.

“Neste combate, os materiais de bio-segurança são peças fundamentais e essenciais. É por esta razão que temos assistido à chegada de vários voos com materiais de bio-segurança que inclui máscaras cirúrgicas, as N95, fatos de nível três e quarto, batas, botas, tocas, viseiras, termómetros e camas”, frisou.

Esclareceu que a aquisição destes meios visa garantir que tanto os profissionais de saúde como os eventuais pacientes estejam protegidos. Apesar de Luanda ser a única província onde foram detectados os 71 casos positivos de Covid-19, de que resultaram quatro mortos e 18 recuperados, os equipamentos estão a ser distribuídos por todo o país.

Para dar uma resposta mais eficaz aos casos de Covid-19 que possam vir a surgir fora da capital do país, o corpo clínico também foi reforçado com 280 profissionais de saúde de nacionalidade cubana de diversas áreas.

No entanto, a velocidade com que chegam os equipamentos não é a mesma com que está a decorrer a transformação de duas naves da ZEE, erguidas para acolherem fábricas, em hospital de campanha para este fim específico.

Hospital com atendimento diferenciado

Embora o novo Coronavírus não diferencie o ser humano onde poderá abrigar-se, haverá uma segregação no atendimento nessa unidade hospitalar. O atendimento nessa unidade está estratificado, entre civis e militares, de acordo com informações prestadas à imprensa pelo general Pedro Sebastião, coordenador da Comissão Multissectorial para a Prevenção e Combate à Covid-19, no dia 30 de Abril, aquando da realização de uma visita ao local.

O ministro de Estado e chefe da Casa de Segurança do Presidente da República disse que uma das naves, constituída por 600 camas, vai atender efectivos das Forças Armadas Angolanas (FAA) e a outra, os civis. No dia da visita, as obras na nave destinada às FAA estavam já avançadas em cerca de 70 por cento e a para civis só começariam a ser preparadas no dia 1 de Maio.

As autoridades sanitárias contarão ainda com o complexo de 200 residências localizado na comuna de Calumbo, que se prevê transformar em centro de tratamento de epidemias e pandemias, adquirido ao preço de 24 milhões e 976 mil e 189 dólares norte-americano, de acordo com o Despacho Presidencial 65/20. Acrescenta também um centro de tratamento localizado atrás do Hospital Psiquiátrico de Luanda.

Por enquanto, mais de 40 pacientes com Covid-19 estão a ser atendidos no centro de saúde de referência da Barra do Cuanza. Clínicas como a Girassol e a da Endiama (Sagrada Esperança) também se juntaram à causa, atendendo pacientes que dispõem de seguro de saúde.

Ao fim do período de sucessivas prorrogações do estado de emergência, o ministro de Estado Adão de Almeida esclareceu que o mesmo serviu para “melhorar a nossa capacidade de atendimento e reforço dos recursos médicos e melhorar a capacidade de assistência médica e medicamentosa e materiais de biossegurança”.