Secretário do SINPTENU morto a tiro no Dangereaux

O secretário-geral do Sindicato Nacional de Professores e Trabalhadores do Ensino Não Universitário, Lazarino dos Santos, foi morto à porta de casa, supostamente pela Polícia, com mais um vizinho. A Polícia Nacional diz que os dois cidadãos foram vítimas de uma acção de meliantes e pede provas de quem acusa a corporação

As duas vítimas mortais que se encontravam na rua com mais cinco vizinhos, foram surpreendidas por volta das 21 horas, quando decidiam o quanto cada integrante daria para colocarem chão bruto na rua.

Segundo Teófilo Huambo, enquanto conversavam, ouviram numa das travessas o barulho de uma arma manipulada e pessoas gritando “dá o telefone” e, por esta razão, decidiram entrar nos quintais, mas Lazarino dos Santos, de 44 anos, e Álvaro Esteves, de 31, já não foram a tempo de se recolherem ao domicílio.

“Mal os polícias fizeram o contorno, aquilo é tiro à queima-roupa. O professor foi atingido nas costas e o Álvaro na boca”, disse Teófilo Huambo, acrescentando que ele e os restantes quatro jovens só estão vivos por um milagre, tendo em conta que no momento da retirada foram os primeiros.

Segundo a testemunha, depois de os supostos agentes atingirem mortalmente os dois jovens, ainda permaneceram por 15 minutos no local. “Eu ainda vi os polícias fardados, com máscaras e armas. Um deles até disse que mataram a pessoa errada porque conhecia o outro miúdo (Álvaro), era taxista”, explicou.

“Polícias receberam salário e não estão na rua”

Teófilo Huambo disse ainda que um eventual argumento da Polícia, de que terão sido confundidos com bandidos, não justifica, realçando que a rua, conhecida por Verdinha, é iluminada o suficiente às noites para se distinguir as pessoas.

Aliás, frisou que a tendência de fuga à responsabilidade começou depois de deixarem as vítimas no Hospital Geral de Luanda, onde uma das vítimas acabou por falecer, ao se dirigirem a Esquadra do Dangereaux, onde o comandante terá dito não existirem agentes seus em ronda no bairro.

“O comandante Chocolate disse que os seus homens receberam salário hoje (25) e à esta hora não tenho ninguém na rua. Só podem ser da Fubú ou do Honga, porque os meus estão todos aqui”, disse.

Teófilo acrescenta que por ter sido vítima da ocorrência não pode esconder nada, tendo acrescentado que o comandante terá recebido o papel em que o homem do piquete registou a ocorrência. “O homem do piquete sabe a verdade, porque foi ele que meteu os homens no terreno, mas o comandante diz que são bandidos que mataram”, tendo acrescentado que os outros sobreviventes estão traumatizados.

Uma das vítimas mortais, Lazarino dos Santos, era professor de Língua Portuguesa vinculado ao Ministério da Educação há cerca de 18 anos, sendo que nos últimos tempos se vinha destacado na actividade sindical pelo SINPTENU.

Polícia pede prova de imagens dos seus agentes

O director do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa do Ministério do Interior, Waldemar José, explicou que houve uma ocorrência perpetrada por meliantes, na zona do Dangereaux, que culminou com a morte de dois cidadãos, um com morte imediata no local e outro no hospital.

O subcomissário disse que a Polícia recolheu o corpo de um deles no local do crime e que até ao momento (ontem) a corporação não tinha recebido qualquer confirmação de que os autores dos disparos estavam trajados com uniformes da Polícia.

“Agora é só alguém estar de roupa escura e cometer crime, que se acusa a Polícia. Hoje, há telefones que filmam e tiram fotos. Por que razão ninguém apresenta tais imagens? São informações infundadas”, referiu.

Waldemar José disse que o crime está sob investigação para determinar os seus autores. Não faz sentido, para Waldemar José, a Polícia chegar à porta de um cidadão, perguntar por que razão estão na rua e começar a disparar sem qualquer motivo. “Contudo, aguardemos pelo resultado da investigação. Se alguém tiver provas bastantes que permitam acusar a Polícia deste acto, que as traga, porque esses indivíduos precisam ser banidos da corporação, bem como ser julgados”, sentenciou.

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