A minha homenagem a Dom Oscar Braga

A minha homenagem a Dom Oscar Braga

Com nostalgia, tristeza, mas com bastante respeito, recuo no tempo e recordo o convívio com Dom Óscar Braga. Tive o privilégio, enquanto escuteiro, de estar presente, na Sé Catedral, e ser testemunha na ordenação de Dom Óscar Braga, num momento que nós, os escuteiros, os católicos e a população de Benguela em geral, chorávamos a morte de Dom Armando Amaral dos Santos, num acidente de viação no troço Lobito-Novo Redondo, tendo à data a sua morte levantado suspeições, porquanto Ele e também o padre Horácio, de quem muitos somos discípulos, eram mal queridos pelas autoridades portuguesas, devido à sua postura em defesa dos angolanos, enfrentando com coragem as autoridades portuguesas.

Portanto, não era fácil substituir Dom Armando Amaral dos Santos… mas Dom Óscar Braga fê-lo com brio e perfeição e ocupou, por mérito próprio, o coração dos Benguelenses, paixão que vigorou até à data da sua morte e que certamente eternizará.

Era grande o carinho que Ele dedicava aos Escuteiros e, como certamente poderão confirmar o Paulo Valongo, o Mário e o Adélio Neiva que, comigo e com os falecidos Joaquim Alberto César – Quinito Bembereque e Rafael Chicambi Miguel – Bangão, contribuiu para a formação e educação de muitos benguelenses, certamente com apoio dos nossos Chefes: Novo, Palmira, Adriano e tantos outros… Recordo as diligências que Dom Óscar Braga desenvolveu em 1975 junto dos movimentos de libertação, com vista a pôr fim ao conflito eclodido no período pré-Independência, esforço igualmente desenvolvido em 1992.

Tive o privilégio de visitá-lo, enquanto Director Nacional dos Serviços Prisionais, em que me recordou do seu trajecto, pois, antes da vida sacerdotal, Dom Óscar Braga trabalhou como regente agrícola na Cadeia da Damba, em Malanje, recordando os seus companheiros da altura, onde destacou o falecido Salvador, que foi Director da Cadeia do Cavaco em Benguela e Sabino Washignton de Almeida, que foi Director Nacional Adjunto dos Serviços Prisionais. Por tudo isso, a minha singela homenagem a este Grande Homem; o meu muito obrigado à Igreja Católica, que muito fez e faz para a formação dos angolanos e, já agora, recordar também um grande Homem de Benguela, que merece ser reconhecido e homenageado em vida, o padre Manuel, dos Gaiatos. Bem Haja Dom Óscar Braga, que sempre me deu a sua bênção enquanto Vice-Ministro e enquanto Ministro. Continue a olhar para a nossa pátria.

Ângelo Veiga Tavares