Família do sindicalista morto acusa a Polícia de faltar à verdade

Família do sindicalista morto acusa a Polícia de faltar à verdade

Os familiares solicitam da Polícia Nacional que esclareça a verdade dos acontecimentos e afirmam estar a haver encobrimento dos autores dos disparos que vitimaram Lazarino dos Santos e Álvaro Esteves na noite de 25 de Maio.

Daniel dos Santos volta a questionar as razões da Polícia ter retirado o corpo do seu irmão do Hospital Geral para o Josina Machel sem dar a conhecer à família, horas depois de terem deixado o corpo na morgue da primeira unidade sanitária.

A família de Lazarino dos Santos diz que, no Josina Machel, a Polícia ainda tentou meter o corpo do sindicalista na câmara cinco, destinada aos corpos sem identificação, o que só não aconteceu pela intervenção da família da outra vítima, que foi o último a perder a vida (já no hospital).

“É normal que a Polícia queira fazer a perícia, mas tem que dar a conhecer aos familiares ao fazer a transladação de corpos. Imagina se nenhuma família do Álvaro (a outra vítima) estivesse lá…encontraríamos os dois corpos abandonados, como se fossem delinquentes”, frisou.

Daniel dos Santos disse a OPAÍS que a família não vai realizar o funeral do seu irmão sem que a Polícia dê uma explicação clara a sociedade e apresente os autores dos disparos que vitimaram mortalmente os dois cidadãos.

Álvaro Esteves, de 31 anos, e Lazarino dos Santos de 44, professor e secretário-geral do Sindicato Nacional de Professores e Trabalhadores Não Universitários (SINPTENU) foram mortos no dia 25 de Maio do corrente ano, por volta das 21h, na porta de casa do sindicalista, no bairro Dangereaux, em Luanda, onde se encontravam com mais cinco vizinhos.

Segundo a testemunha que socorreu as vítimas ao hospital, depois de os supostos agentes atingirem mortalmente os dois jovens, ainda permaneceram 15 minutos no local e não permitiram que alguém se aproximasse.

“Caso sob investigação”

O porta-voz do Ministério do Interior, Waldemar José, disse, ontem, em conferência de imprensa, que a Polícia até agora não tem informações concretas e que as informações preliminares recolhidas pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC) e as das testemunhas são contraditórias.

Waldemar José referiu que a disparidade de informações não permite à corporação concluir que se trata de efectivos da PN. “Há vários cenários e versões que se poderão colocar, por isso, vamos deixar os órgãos de informação executarem o seu trabalho”, disse.

O sub-comissário apresentou a versão da PN sobre a razão pela qual os corpos foram transladados do Hospital Geral para o Josina Machel, explicando que tal facto deveu-se a necessidade de realização de autópsia, sem, no entanto, frisar os motivos de alegadamente não terem informado a família.

“Porque houve uma acção criminal, os órgãos de perícia criminalística têm que fazer a autópsia, é em função disse que o médico legista vai atestar a causa da morte. Então, não foi com o propósito de algum subterfúgio, como se diz em algumas notícias. É um procedimento correcto”.

Todavia, Waldemar José garantiu que caso se conclua que os autores são efectivos da PN, serão tratados como qualquer criminoso que tenha atentado contra o bem jurídico mais precioso, a vida.

Reforçou que a se provar, serão julgados, condenados e expulsos da corporação e a sociedade terá conhecimento da situação.