PRS critica novas nomeações do Presidente da República

Esta força política, com assento na Assembleia Nacional, diz que as constantes nomeações do Presidente da República, João Lourenço, têm atrapalhado o bom desempenho de alguns governantes e discorda das novas mexidas feitas no princípio desta semana

Numa mensagem áudio enviada a OPAÍS, o representante deste partido no Huambo, Soliya Selende, criticou a mudança do governador da província de Luanda para Uíge e a nomeação das novas governadoras para o Huambo e Luanda.

Na visão do PRS, segundo o político, o governador de Luanda Sérgio Luther Rescova deveria continuar em Luanda, pelo facto de, durante o seu curto consulado, ter demonstrado vontade de cumprir a missão que lhe confiada, apesar dos vários constrangimentos de governar esta província, que a fonte considerou como sendo “muito complexa”.

Soliya Selende apontou o ex-governador de Luanda como tendo sido dinâmico e ter feito o que esteve ao seu alcance, e deplora a sua “precipitada” transferência para o Uíge, sua terra natal.

Para a fonte, o jovem governante tinha muito tempo ainda a dar para Luanda, já que, à semelhança de Aníbal Rocha, conhecia os reais problemas que esta província e os seus munícipes enfrentam.

Disse ser difícil governador Luanda, tendo em conta os seus complexos problemas, associadas à interferência do poder político que, nalguns casos, em vez de resolver, atrapalha a agenda dos governadores que passaram pela Mutamba.

Cepticismo na gestão de Luanda

Sobre a indicação da nova governadora de Luanda, Joana Lina Baptista, a fonte deste jornal considerou ter sido uma “péssima escolha” do Presidente da República, a julgar pela complexidade de governar esta província, como disse inicialmente.

Justificou que Luanda merece um governador com uma dinâmica de dirigismo, para dar resposta aos inúmeros problemas.

Apontou que, enquanto governadora do Huambo, Joana Lina fez pouco ou nada para desenvolver a província, cuja governação estava mais resumida em questões partidárias do que governativas.

À ex-governadora do Huambo atribui casos de intolerância política contra outros partidos políticos sediados na província, enquanto governadora, durante as reuniões do Conselho Provincial de Auscultação e Concertação Social (CPACS).

A fonte mostrou-se céptica de que Joana Lina venha a governar Luanda com sucesso, revelando que no Huambo não resolveu as questões mais básicas, como são a água, a luz e o saneamento básico.

“O Palácio está rodeado de lixo, imagine o que fará em Luanda, onde há lixo em quase tudo quanto é canto”, observou, acrescentando que por falta de água nas residências, a população do Huambo sempre socorreu- se dos rios que circundam a cidade capital da província.

Afirmou que o reparo que faz sobre a gestão da antiga governadora do Huambo é um alerta para o Presidente da República sobre a nomeações de governantes, apesar de ser soberano na sua decisão, como a Constituição lhe confere.

Nova governadora do Huambo

No mesmo diapasão, Soliya Selende teceu também críticas ao Presidente da República, João Lourenço, por ter nomeado Lotti Nolika para o cargo de governadora do Huambo, em substituição de Joana Lina Baptista.

Segundo o secretário provincial do PRS no Huambo, a escolha desta, que já foi administradora do município da Caála, e directora provincial da Educação, foi menos acertada, “devido à sua má gestão à frente destas duas instituições de estado”.

Apesar de reconhecer que as nomeações para cargos governamentais é da competência do Presidente da República, Soliya Selende questionou o critério que este tem usado para tais escolhas.

Na sua opinião, o Titular do Poder Executivo deve consultar os seus colaboradores mais próximos, “sobretudo os provincianos”, para que sejam nomeados governantes com perfil à dimensão de cada província. Revelou que, entre os governadores provinciais que já governaram a província do Huambo, a preferência da maior parte da população recai para João Baptista Kussumua.

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