Sindicato dos Médicos reclama de desvalorização dos profissionais

O presidente do Sindicato Nacional dos Médicos Angolanos (SINMEA), António Manuel, mostrou-se consternado com o facto de os médicos cubanos serem mais valorizados do que os angolanos, face às declarações da ministra da saúde sobre quanto custa um médico cubano ao país.

O Sindicato dos Médicos foi mais longe, pois, num comunicado a que o jornal OPAÍS teve acesso, mostra que, se necessário, pretende convocar, num futuro próximo, uma assembleia para decidir uma paralisação das actividades da classe, até que sejam valorizados como os médicos expatriados.

Esta situação foi levantada um dia depois de a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, em conferência de imprensa para actualização da situação da Covid-19 no país, ter afirmado que, em média, um médico cubano aufere cinco mil dólares/mês.

Para o sindicalista, quem disse em média, está a querer dizer que existe salário superior àquele, o que faz com que os médicos angolanos se sintam mal, “porque, senão, vejamos: muitos médicos angolanos formados em Cuba nas mesmas Universidades, e até uns são colegas de sala dos médicos cubanos, estão neste momento há mais de 1 ano atrás do concurso público, através da realização de uma prova e obtiveram notas inferiores a 10 valores, com eminência de não serem admitidos no sistema nacional de saúde. Porquê não se faz o mesmo aos médicos cubanos?”, questiona. O colega angolano é desvalorizado, segundo o SINMEA, pois o médico angolano quando é admitido na função pública aufere um salário de 300 mil Kz, sem residência, sem meio de transporte, as deslocações para o serviço são feitas de táxi, sem seguro de vida, sem condições de trabalho, etc.

O SINMEA condena a desvalorização da classe médica que já se tornou moda no nosso país, “basta olhar nos salários auferidos pelos agentes de AGT, magistrados, bancários, etc.”, exemplificou.

Perante a pandemia da Covid-19, todos os que auferem melhores salários, segundo António Manuel, foram convidados a ficar em casa. Aos médicos atribui- se-lhes apenas um título de “combatentes da linha da frente”. Arriscam as suas vidas e de suas famílias para salvar aqueles que não querem saber do valioso e insubstituível papel do médico na sociedade.

“Os médicos cubanos são bemvindos a nossa pátria, porque até somos poucos. O SINMEA nunca esteve contra a vinda deles ao nosso país, apenas defendemos o tratamento igual, tal como somos iguais na formação. O salário que um médico cubano aufere, deveria ser o mesmo de um médico angolano”, defende.

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