BJAP cria projecto de sensibilização sobre medidas preventivas da Covid-19 nas comunidades

O trabalho envolve jovens artistas da Brigada Jovem de Artistas Plásticos (BJAP) vai desenvolver no seio das comunidades, ilustrações por meio de desenhos e pinturas, com vista a reforçar e sensibilizar o cumprimento das medidas preventivas contra o novo Coronavírus

Com o intúito de contribuir para a divulgação das medidas preventivas contra a Covid- 19 nas comunidades e evitar a sua propagação, a Brigada Jovem de Artistas Plásticos (BJAP) desenvolve o projecto de pintura mural com o slogan “Educação e prevenção da Covid-19 na comunidade”, cujo arranque acontece na primeira semana de Junho, no Largo Rainha Njinga, no município de Luanda.

O trabalho que é desenvolvido em parceria com o Instituto Angolano da Juventude e a JMPLA, envolvendo jovens artistas da BJAP, tem como objectivo reforçar e sensibilizar para o cumprimento das medidas preventivas no seio da comunidade, através de desenhos que ilustram o processo, para assim evitar a disseminação.

Em conversa exclusiva com OPAÍS, o coordenador da BJAP, Adão Mussungo, disse que, através de desenhos murais, que serão feitos nas paredes das áreas identificadas, além de ilustrar a relevância do uso de máscaras, lavagem das mãos, distanciamento social e representar os parceiros, vão ainda homenagear os médicos e enfermeiros, que estão em contacto com os doentes, com imagens e mensagens de incentivo.

“Estamos a acertar os últimos detalhes com os parceiros, para a materialização do projecto.

Apesar de ainda não termos definido a data, o seu arranque não vai passar da primeira semana do próximo mês, no referido largo, onde temos um painel em que temos feito a nossa publicidade. Então, é ali onde vamos fazer a nossa primeira pintura”, sublinhou.

Levantamento nas comunidades

O artista plástico avançou que os espaços para a pintura mural nas comunidades, isso, no município do Cazenga, Viana e Cacuaco estão já localizados, foi um trabalho que contou com o apoio dos parceiros. Disse ainda que almejam contar com a colaboração das administrações locais, para dar maior resposta à iniciativa.

“Pelo que vimos e ouvimos durante os levantamentos, nota- se muita ausência de informação nas comunidades. Por isso, pretendemos também trabalhar directamente com as administrações. Além do trabalho, pretendemos oferecer máscaras a algumas comunidades, que é de grande utilidade ao combate da doença”, perspectivou.

Oportunidade de trabalho

A presente iniciativa é vista por Adão Mussungo, como uma oportunidade de trabalho aos jovens artistas, que desde a fase de estado de emergência, que decorreu de 27 Março a 25 de Maio, ficaram sem labor.

Por isso, apelou para o apoio das empresas públicas e privadas, no sentido de facultarem materiais de trabalho, como tinta, para facilitar o ofício de cariz social. Lembrou que nesta fase de situação de calamidade pública, estão ainda proibidas a abertura de grandes exposições.

”Por agora, vamos trabalhar nestes moldes, fazer os desenhos nas ruas, nos muros das comunidades. Acreditamos que com isso, muitos terão maior consciência da gravidade do assunto”, apurou o artista.

Outras iniciativas

Durante a fase de confinamento social, a BJAP dedicou-se na realização de actividades online com análogos, onde desenvolveram conversas de experiência de trabalho entre os jovens artistas. Nesta senda houve ainda a participação de artistas numa exposição colectiva de carácter internacional, projectada através de um blog criado por artistas africanos residentes em Lisboa/ Portugal, que visou assinalar o Dia de África, a 25 de Maio.

A mostra que continua patente até ao final deste mês, composta por mais de 40 obras de artes plásticas, conta com a participação de 31 artistas, entre angolanos, moçambicanos, guineenses, cabo-verdianos e alguns portugueses residentes em Angola.

Além das obras, os artistas disponibilizaram ainda mensagens relacionadas ao continente, de forma a homenageá-lo e, igualmente, incentivar para o seu desenvolvimento progressivo.

As referidas mensagens, conforme contou Mussungo, apelam à paz em África, liberdade, além das obras que representaram a beleza e riqueza africana, como a fauna, a flora e esculturas. O artista que também participou nesta exibição virtual disse que, homenageou o continente “Berço” através de uma obra de pintura, em que mostrou que África é apenas uma, que inclui todos, baseada na frase africana Ubuntu.

“Pretendemos ainda dizer que não queremos ter uma África tão ligada aos outros continentes, apesar de haver hoje essa necessidade para que cresça. Por isso, passamos essa ideia, de que somos apenas um, e, que, independentemente de sermos africanos, estamos conectados com os outros continentes”, explicou.

Agenda adiada

Entre as actividades adiadas devido ao surto da pandemia, consta o ciclo de palestras e workshops com vários mestres nesta área, como o António Gonga, visitas a espaços culturais entre o Centro de Animação Artística do Cazenga, onde seria efectivada a troca de experiência entre vários profissionais.

O último trabalho desenvolvido foi a exposição intitulada “No auge do feminino”, inaugurada a 8 de Março, na Casa de Cultura do Rangel, que se encontra ainda patente, visou saudar o Dia Internacional da Mulher.

“São estes e outros trabalhos que ficaram pendentes, mas na esperança de dias melhores, para que possamos prosseguir com elas. Apesar de tudo, tivemos de aceitar a realidade, mas ainda assim estamos a trabalhar noutros projectos viáveis no momento”, finalizou.

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