Encarregados de educação temem transmissão do vírus entre alunos

Apesar de a previsão do reinício de actividade lectiva depender da evolução da situação epidemiológica do país, prevista a partir de 13 de Julho para o ensino superior e II ciclo secundário e 27 para o ensino primário, os pais e encarregados de educação temem o pior. Alguns chegaram a pedir, em declarações a OPAÍS, a anulação do ano lectivo

Pais e encarregados de educação dizem estar apreensivos com o reinício das aulas, tendo em atenção que muitas escolas do ensino primário e primeiro ciclo não têm condições básicas, como água corrente nos balneários e salas com menos de 25 alunos.

Por este motivo, Nambi Wanderley considera o reinício das aulas no dia 13 de Julho muito arriscado, apesar de abranger primeiramente os alunos do II Ciclo do Ensino Secundário e o Ensino Superior. Acredita que o Executivo optou por dar o pontapé de saída nesta franja da sociedade por se tratar de pessoas adultas, que já sabem das medidas de prevenção.

Disse que ainda assim há alguns prossupostos que precisam de ser analisados, como os problemas básicos que têm a ver com a falta de água corrente nas próprias instituições de ensino, o cumprimento do distanciamento social, entre outros.

“Parece um contra-senso esta medida tomada pelo Governo, por aquilo que temos visto de outras latitudes, que mandaram de volta para as escolas os alunos e dias depois tiveram que recuar nas suas decisões porque voltouse a registar novos casos de contaminação”, frisou.

Como professor universitário e encarregado de educação de seis menores, quatro filhos e duas sobrinhas, Nambi Wanderley questiona se o Executivo também quer viver esta experiência. “Acredito, que esteja aqui o velho ditado: vamos ver para crer! Infelizmente, a Covid-19 está a nos dar um bom exemplo de humildade”, frisou.

Maria da Conceição, mãe de duas meninas em idade escolar, disse que teme o início das aulas porque não vê como o Executivo vai criar as condições necessárias de distanciamento social nas salas de aulas e nos intervalos, quando não se tem condições higiénicas de salubridade, uma vez que essas, por si só, já justificariam o estado de calamidade.

“Não é boa ideia a abertura das aulas no país por causa do risco de transmissão da Covid-19 entre os professores e alunos. Prefiro que as minhas filhas percam um ano lectivo do que a vida, numa brincadeira. Minhas filhas não irão à escola. Já decidi”, frisou. Acrescentou de seguida que “o Governo devia anular este ano lectivo”.

Dona Maria disse que em dias normais a higienização das escolas é duvidosa e com o perigoso da Covid-19 será bem pior. Uma vez que em estado normal não têm sabão e papel higiénico. Apontou estes fundamentos como os que a levarão a não deixar as filhas irem à escola.

“É impossível manter o distanciamento das crianças no momento do intervalo”.

Smith da Costa, pai de dois rapazes em idade escolar, considera que será impossível manter o distanciamento entre as crianças no momento do intervalo, uma vez que elas brincaram entre si.

Salientou que o controlo não será eficiente. “As crianças são afáveis e solidárias. Não respeitarão o afastamento social”, disse.

O jovem acredita que o grande problema é estar-se perante um vírus cujos riscos de contágio são maiores e não se está a deixar os biólogos e virologistas darem os seus pareceres.

“Há relatos de que nos Estados Unidos de América muitos se recusam a fazer o uso da máscara porquê para além de dar cabo das imunidades, é tóxica. Invocam ainda a possibilidade de ela poder vir a causar mais um problema de saúde pública”, recordou.

Por esta razão, acredita que caso seja verídico que as máscaras podem fazer mal e prejudicar o sistema respiratório, “o contacto entre as crianças e as máscaras será inevitável. Elas não terão cuidados como os adultos, mesmo nós, por vezes, falhamos, quanto mais as crianças?” questionou.

Smith da Costa também partilha da ideia de que os governantes angolanos deviam ter em atenção o que aconteceu em França com a tentativa de reabertura das escolas. Registou um número maior de contágios e tiveram de recuar nas suas decisões.

“Tudo o que é de boa fama podemos imitar, claro, mas o país deve parar de imitar Portugal e Brasil em quase tudo. Aliás, estes países possuem condições melhores em relação a Angola”, disse.

Por outro lado, adverte que se o país não quiser atingir o pico, que se anule o ano lectivo de 2020. “É melhor ter pessoas repetindo as classes do que infectadas ou mortas”, apelou.

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