“Não haverá outro dia como ontem, acabou!”, diz Bolsonaro sobre inquérito das fake news

“Não haverá outro dia como ontem, acabou!”, diz Bolsonaro sobre inquérito das fake news

O presidente Jair Bolsonaro disse, nesta Quinta-feira, que “não haverá mais outro dia como ontem” e que “acabou”, numa referência à operação da Polícia Federal que cumpriu mandados de busca e apreensão na véspera contra pessoas aliadas a ele e acusadas de envolvimento  na produção e distribuição de fake news.

“Não teremos outro dia igual a ontem. Acabou, porra!”, disse Bolsonaro, visivelmente irritado, numa declaração a jornalistas em frente ao Palácio da Alvorada. “Acabou, não dá para admitir mais atitudes de certas pessoas, individuais, tomando de forma quase que pessoal certas acções. Nós somos um país livre e vamos continuar livre mesmo com o sacrifício da própria vida.”

Em mais de 20 minutos de conversa, o presidente não admitiu que os jornalistas fizessem perguntas e, quando questionado, foi embora.

Bolsonaro não explicou o que quis dizer com “acabou”, ou o que pretendia fazer contra o inquérito das fake news.

“Ninguém mais do que eu tem demonstrado que tenho compromisso com democracia e liberdade. Agora, as coisas têm um limite, ontem foi o último dia”, repetiu.

A operação deflagrada na Quarta-feira teve como alvo principal empresários, blogueiros e activistas ligados ao bolsonarismo, acusados de financiar e criar uma rede para espalhar notícias falsas pelas redes sociais. Entre os investigados estão o empresário Luciano Hang, um dos
maiores apoiantes de Bolsonaro, e o blogueiro Allan dos Santos, dono de um site dedicado à defesa do governo.

Também estão na mira do inquérito seis deputados federais e dois deputados de São Paulo, todos da ala do PSL ligada ao bolsonarismo.

Bolsonaro acusa Moraes de mirar o inquérito em que o apoia e abrir uma investigação em cima de um factoide”, o chamado “gabinete do ódio”, um grupo que trabalharia com mídias digitais dentro do Planalto e seria comandado por Carlos, filho do presidente.

“O objectivo dessa acção é atingir quem me apoia”, reclamou. “Estão a perseguir gente que apoia o governo de graça. Querem tirar a mídia que eu tenho a meu favor sob o argumento mentiroso de fake news.”

Mais uma vez, o presidente disse  que “querem me tirar da cadeira para voltar a roubar”.

Bolsonaro disse por diversas vezes que a democracia e a liberdade estão acima de tudo, disse ter a alma de  democrata, mas defendeu que “ordens absurdas não se cumprem”, ao se referir ao facto de a Polícia Federal ter seguido as determinações do ministro Alexandre de Moraes.

“A democracia é algo sagrado, e admito que todos estejam preocupados com ela. Não basta apenas um ou dois Poderes se preocupar. Todos devem se preocupar com ela”.