Não vejo Angola sem uma companhia aérea de bandeira (TAAG )

“...No caso da TAGG, deve servir para interconectar os angolanos dentro e fora do país, ligar Angola ao mundo, fazer Angola estar presente na África Austral, Central e possibilitar a saída e entrada de investidores da Europa, Ásia e América no território nacional, assim como da diáspora angolana. A TAAG também pode servir de companhia de referência para a CPLP com destaque para os PALOP.”

O vírus COVID-19 provocou uma mudança na agenda dos Estados que atrofiou completamente outros assuntos igualmente importantes para o desenvolvimento e crescimento da economia e bem-estar das populações.

Neste artigo de opinião vou reflectir sobre a nossa companhia aérea de bandeira, a TAAG.

Tenho tido acesso a debates com alguns amigos economistas e gestores que fitam a sua análise na  financeira, nos rendimentos e, olhando para score financeiro da TAGG, não têm dúvida que o Estado deve abrir mão da companhia e não se aventurar em colocar mais nenhum centavo para o seu funcionamento.

A minha perspectiva é complementar, acho que é necessário uma maior e melhor gestão administrativa e/ou financeira mas, em contrapartida defendo o resgaste da TAGG.

O Estado tem o dever de injectar dinheiro na TAGG emanter a maioria das acções de modo a poder opinar sobre a estratégia da companhia, para onde e quando fazer voos para determinadas localidades ao nível nacional e internacional.

A TAAG deve ser colocada no nível de empresa estratégica do Estado, assim como os caminhos-de-ferro ou mesmo os transportes públicos urbanos sem os quais não há dinâmica económica.

A mobilidade é um factor de desenvolvimento. Ninguém investe em regiões isoladas por mais que tenham potencialidades. Segundo as previsões da própria TAAG, este ano de 2020 prevê-se prejuízos na ordem dos 270 milhões de dólares.

Parece muito dinheiro para os olhos, mas se pensarmos numa empresa estratégica que faz milhas por dia em diferentes direcções do país e ao nível internacional, conjugado com a actual conjuntura do Coronavírus que anulou os planos de voo,  esse gap financeiro pode e deve ser mitigado pelo Estado.

Se pretendermos capitalizar as infraestruturas aeroportuárias que existem pelo país, se o desenvolvimento harmonioso e horizontal do país for o objectivo do Estado, é necessário que, no mínimo as capitais das províncias tenham ligações aéreas, terrestres, ferroviárias, marítimas, fluviais ou lacustres se for possível.

O privado nunca vai investir sem ter em vista o retorno do seu capital. Aliás, cabe ao Estado criar as condições para que o privado sinta que existem condições para investir. A atração de investimento faz-se com a criação de condições básicas e os transportes são fundamentais.

A questão da boa gestão é crucial, mas a boa gestão não significa objectivamente a geração de lucros, tudo depende dos objectivos preconizados. Desde que haja transparência, é possível gerir uma empresa em benefício do desenvolvimento.

No caso da TAGG, deve servir para interconectar os angolanos dentro e fora do país, ligar Angola ao mundo, fazer Angola estar presente na África Austral, Central e possibilitar a saída e entrada de investidores da Europa, Ásia e América no território nacional, assim como da diáspora angolana.

A TAAG também pode servir de companhia de referência para a CPLP com destaque para os PALOP.

Se a TAAG servir para esses objectivos e cumprir com zelo, ainda que tenha perdas acima dos 300 milhões de dólares por ano, esse valor na verdade não será perda, mas investimento, como o da Saúde, Educação,Segurança, Transportes Urbanos Público, Prestação de Serviços Públicos, mordomias dos dirigentes e deputados, etc.

Embora a TAAG ou uma companhia aérea tenha a vantagem de dinamizar e dar receitas para outros sectores como o Turismo, prestação de serviços, promoção da unidade nacional, desenvolvimento cultural, etc.

A título de exemplo, quantos angolanos conhecem a cidade de M’banza-Kongo? Aquela cidade histórica está classificada Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO.

Se houvesse um projecto intersectorial para o desenvolvimento do Turismo, da Educação, da Cultura, do Comércio e da inserção de Angola na Rota Internacional do Turismo, não seria exagero nenhum sugerir que a TAGG faça  ou três voos por dia para M’banza-Kongo. Tudo depende dos objectivos e dos meios disponíveis.

Os subsídios devem sair dos sectores que irão beneficiar directa ou indiretamente do dinamismo econômico, financeiro, cultural e social que a empresa irá criar.

Portanto, no meu entender, a TAGG é uma companhia estratégica que deve ser preservada, mas também é necessário aprimorar a gestão.

Não seria mal desenvolver mecanismos  legais para darmos o salto em que os gestores passem por um concurso público para que a gestão seja de top e o Estado ficaria apenas com o encargo de fiscalizar, monitorar e apontar a estratégia, a visão que tem para a companhia, optando por a contratação de uma gestão por objectivos, assim evita-se as queixas até aqui existentes.

Se a gestão for rigorosa, raramente entraremos nas aeronaves da TAAG com cadeiras vazias mas centenas de cidadãos à procura de bilhetes de passagem ou os famosos atrasos e cancelamentos.

Tudo depende do rigor. Ninguém sabe tudo então, os gestores do sector sabem quais são as áreas que devem terceirizar e fazer apenas o essencial para tornar a TAAG numa companhia de excelência.

Não é curial comparar Angola com outros países cujo desenvolvimento está ancorado em premissas diferentes, lá o Estado não precisa de uma companhia aérea, mas no caso de países como Angola é ter uma companhia aérea de bandeira é fundamental.

O Executivo deve ser encorajado à prosseguir com o plano de restruturação e recuperação da TAAG, mantendo-a sempre ao serviço da Nação.

Belarmino Van-Dúnem

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