Sociedade civil quer diálogo aberto com o Presidente da República

Sociedade civil quer diálogo aberto com o Presidente da República

Ouvidos, ontem, pelo OPAÍS, membros das diferentes organizações da sociedade civil enalteceram a iniciativa do Presidente da República, João Lourenço, de auscultar este que é considerado também de “grupo de pressão”, num encontro marcado para hoje e esperam por um diálogo aberto, transparente e equilibrado.

Para o coordenador do Observatório para Coesão Social e Justiça (OCSJ), Zola Bambi, ninguém pode espelhar melhorar os verdadeiros problemas da população do que aqueles que estão na plataforma mais baixa e que conhecem a sua realidade.

O responsável espera que no referido encontro, sejam recolhidas informações, haja trabalho conjunto e se encontre uma equação para melhor resolver os problemas que afectam a população.

Zola Bambi acredita que problemas ligados à educação, à saúde pública, ao desemprego, às infraestruturas, ao investimento, à sociedade rural, bem como questões religiosas, delinquência e segurança nacional, não podem ser tratados sem um diálogo aberto, transparente e equilibrado.

“Esperamos por um diálogo sem aquelas conotações como as que tivemos no passado, em que a sociedade civil só era vista como aquela que só opinava favoravelmente ao Governo e que omitia as realidades sociais que o país vivia”, disse.

Considerou o encontro entre o Presidente da República e a Sociedade civil como uma oportunidade, tanto para o Executivo como para a sociedade em geral, em que sairá a ganhar a população, ao se dar voz àqueles que não podem opinar. Por sua vez, o coordenador do Observatório Político Social Angolano (OPSA), Sérgio Calundungo, espera que o gesto do Presidente da República, de ouvir e conversar com diferentes entidades, seja aplicado a nível das comunas, dos municípios, da província e também nos departamentos ministeriais que são os órgãos auxiliares do Presidente da República.

Para o entrevistado, encontros do género poderiam adoptar um formato mais abrangente, no sentido de poderem também ser organizados pelos vários sectores, não precisamente pelo Presidente da República.

“Nós achamos que podemos fazer mais e melhor do que juntar cem ou duzentas pessoas numa sala”, disse.

Acrescentou que os vários sectores das províncias também podem organizar esse tipo de encontros, a fim de se recolher opiniões dos cidadãos”, reforçou.

Sérgio Calundungo defendeu ainda maior acesso à informação, alegando que, quanto mais informação a sociedade civil tiver sobre aquilo que as autoridades estão a fazer, maior qualidade terá a sua participação.

Já o presidente da Associação Mãos Livres, Salvador Freire, defendeu a inclusão de todos os angolanos na governação, independentemente de serem militantes do MPLA, partido no poder, de outros partidos políticos ou da sociedade civil.

Acredita que unidos, os angolanos podem resolver os seus problemas sem a intervenção de estrangeiros.

“Somos cerca de trinta milhões de cidadãos e cada um pode contribuir para este país com as suas acções e conhecimentos”, apelou.

Avançou que as contribuições da sociedade civil devem ser levadas em consideração na tomada de decisões, apelando que, além da Covid- 19, o cerne do encontro, outros problemas que afligem a população, como o desemprego, a fome e a saúde pública devem ter resposta do mais alto mandatário da nação.

Este é o segundo encontro entre o Presidente da República e membros da sociedade civil, sendo que o primeiro ocorreu no dia 4 de Dezembro de 2018, no Palácio Presidencial da Cidade Alta.