Sempre alerta para servir

Morreu Dom Oscar Braga, Bispo emérito da Província de Benguela. Dos seus tempos como timoneiro da igreja católica na Província de Benguela, lembro-me da sua omnipresença, da sua activa participação em eventos eclesiásticos e sociais.

Dom Oscar era comunicativo, gostava de multidões, gostava de aparecer. Lembro da pena que tive do seu sucessor, Dom Eugénio dal Corso, que era muitas vezes ofuscado inclusive em eventos em que deveria ser ele o centro das atenções, mas para nós, povo, comunicação social e demais, o nosso Bispo continuava a ser Dom Oscar, aquela pessoa de quem conseguíamos nos aproximar, com quem nos identificávamos e com quem facilmente conseguíamos nos comunicar.

É realmente emérito, como eméritas são as suas obras. Lembro-me do impulsionamento que deu ao renascimento do escutismo em Angola, sendo eu parte do primeiro grupo de escuteiros da igreja do Pópulo em Benguela, da era pós colonial, lembro-me como hoje, do Bispo e da nossa madre instrutora,a Irmã Furtado, a quem chamávamos de miss baixinha , do incentivo e apoio com a sua presença falando na primeira pessoa de suas experiências.

Outros movimentos como a Promaica (por ele criada), a ativação do movimento das Cáritas, tudo obras avivados por Dom Oscar. E as suas obras deram frutos e estão aí para que todos as possam ver. Dom Oscar Braga deu a primeira comunhão à minha filha primogénita.

Que honra. Da sua bondade indescritível, guardo como exemplo ter dado moradia a um conhecido homem mau e sua família, um facínora que muitas vidas arruinou; este, uma vez caído em desgraça, foi salvo pelo sentido de perdão, bondade e humildade característicos de Dom Oscar.

Tenho pena que em tempos de Covid 19 não possamos todos estar presentes e fazer uma homenagem grandiosa em moldura humana presente, à altura deste grande líder da igreja católica, a quem o Senhor chamou num momento em que só humildes homenagens podem ser feitas, humilde homenagem para um homem humilde.

Neusa Calequera

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