Trump diz que EUA vão iniciar processo para retirar privilégios de Hong Kong

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse, nesta Sexta-feira, que determinou ao seu Governo que inicie o processo para eliminar o tratamento especial concedido a Hong Kong em resposta aos planos da China de impor uma nova legislação de segurança para o território.

Trump fez o anúncio numa entrevista colectiva na Casa Branca, dizendo que a China havia quebrado a sua palavra sobre a autonomia de Hong Kong. Ele disse que a acção chinesa contra Hong Kong era uma tragédia para o povo de Hong Kong, a China e o mundo.

A medida anunciada por Trump ocorre depois de a China ter avançado com os planos de impor uma nova legislação de segurança nacional, e após o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, afirmar que o território não merece mais o tratamento especial sob a lei dos EUA que permitia que permanecesse como um centro financeiro global.

Hong Kong alerta EUA que anular status especial é “faca de dois gumes”

Hong Kong aconselhou os Estados Unidos a se absterem do debate sobre uma legislação de segurança nacional a impôr pela China, e alertou que a revogação do estatuto especial do pólo financeiro em respeito a uma lei dos EUA se voltaria contra a economia norte-americana.

A ex-colónia britânica vem sendo assolada por tumultos civis devido ao receio de que Pequim esteja a limitar o alto grau de autonomia de que desfruta graças à fórmula “um país, dois sistemas” adoptada quando voltou ao controlo chinês em 1997.

“Quaisquer sanções são uma faca de dois gumes que prejudicará não só os interesses de Hong Kong, mas também os dos EUA significativamente”, disse o Governo Hong Kong na noite de Quinta-feira.

Entre 2009 e 2018, o superavit comercial norte-americano de 297 biliões de dólares com Hong Kong foi o maior entre todos os parceiros comerciais de Washington, e 1.300 empresas dos EUA têm sede na cidade, disse o Governo de Hong Kong.

Pequim disse que a nova legislação, que provavelmente entrará em vigor antes de Setembro, combaterá a secessão, a subversão, o terrorismo e a interferência estrangeira na cidade, e também pode levar agências de inteligência chinesas a montarem bases em Hong Kong.

O Ministério da Segurança Pública da China (MPS) disse que irá “direccionar e apoiar a Polícia de Hong Kong para deter a violência e restaurar a ordem”. A Polícia de Hong Kong é independente da China, e o MPS não tem poder para aplicar a lei na cidade.

Nesta semana, um batalhão de choque disparou gás pimenta para dispersar milhares de manifestantes durante o primeiro grande tumulto da cidade desde que manifestações anti-Governo a paralisaram no ano passado. Houve uma pausa na agitação, em parte por causa do surto do novo Coronavírus, neste ano.

Autoridades chinesas e o Governo de Hong Kong dizem que a legislação não ameaça a autonomia da cidade e que os interesses de investidores estrangeiros serão preservados.

O principal conselheiro económico de Trump, Larry Kudlow, alertou que agora Hong Kong pode ter que ser tratada como a China no tocante ao comércio e outras questões financeiras, e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos pediu que as autoridades permitam que manifestantes pacíficos exerçam a liberdade de expressão e de reunião livremente.

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