Crianças com VIH do orfanato “Não há Órfão de Deus” vêem uma luz no fundo do túnel

O orfanato “Não há Órfão de Deus” recebeu recentemente uma visita de duas entidades não governamentais que prometeram ajudar a instituição, no sentido de verem ultrapassadas algumas necessidades básicas.

Depois da matéria publicada pelo jornal OPAÍS na edição 1845, do dia 22 de Maio do ano em curso, o orfanato “Não há Órfão de Deus”, centro que acolhe algumas crianças órfãs de pais seropositivos, também apoiado pela associação Amigos da VIHDA, recebeu uma luz de esperança. 

Uma visita do representante da ONUSIDA, Michel Kouakou e da embaixadora da “Boa Vontade” da luta contra a SIDA, Carolina Pinto, aprestados com a presença da Primeira-dama da República, Ana Dias Lourenço, devolveu a esperança de dias melhores ao orfanato, que passa por várias dificuldades. 

A visita serviu para avaliar as condições das crianças infectadas e afectadas pelo VIH /SIDA, órfãs e vulneráveis. Na ocasião, as entidades ouviram também algumas mulheres que vivem com o VIH /SIDA e que passam por dificuldades na obtenção de medicamentos de segunda linha. 

O representante da ONUSIDA, Michel Kouakou, disse que a sua instituição compromete-se a não deixar ninguém para trás, sendo que irão contactar as instituições que velam pelos direitos das crianças no país e actualizar sobre a visita efectuada ao orfanato, no sentido de que as mínimas condições para as crianças sejam asseguradas. 

Michel Kouakou sublinhou que fica feliz ao ver pessoas que vivem com o VIH e não se desesperarem. “É bom ter pessoas que sabem que ter o vírus não significa morte, mas sim outra vida que começa, porque só assim se tem a consciência de que o teu corpo a ti pertence e pode tomar os cuidados, as precauções e viver”. 

O representante fez aquele reparo acrescentado que neste período de pandemia Covid-19, sobretudo pessoas que vivem com o VIH/SIDA, o que as salva a é o sistema imunológico.  

A embaixadora da “Boa Vontade” da luta contra a SIDA, Carolina Pinto, ficou emocionada com o trabalho desenvolvido pela fundadora e coordenadora do centro de acolhimento “Não há Órfão de Deus”, Albertina Kapitango, tendo mostrado interesse em seguir os mesmos passos. 

Na qualidade de embaixadora, lembrou que a campanha desenvolvida pela Primeira-dama da República tem um grupo específico, que são as grávidas seropositivas e crianças expostas, dos zero até um ano e seis meses. Ainda assim, neste período de pandemia, a Primeira-dama está a incluir as crianças que vivem com VIH / SIDA. 

“Tendo em conta que vão surgindo empresas que pretendem apoiar com algum bem, ela abriu esta excepção neste período, no sentido de olharmos também para as crianças seropositivas”, explicou. 

Nesta senda, as duas entidades constataram “in loco”, a real situação das crianças e registaram as preocupações. 

activista social Noé Mateus lembrou que a sua associação “Amigos da Vihda”, tem prestado apoio ao orfanato, através da igreja, há três anos. As ajudas variam entre alimentação, material escolar para as crianças, brinquedos, entre outros. 

Contudo, nesta fase de Covid-19 não têm conseguido continuar a ajudar o orfanato e as crianças vulneráveis. A associação foi fundada em 2006 e fruto da ajuda da instituição, trabalha fundamentalmente com crianças infectadas e afectadas pelo VIH / SIDA, órfãs e socialmente vulneráveis do centro de acolhimento e nas comunidades. 

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