Líder do PDP-ANA desmente que tivesse desviado dinheiro para investir em gado bovino

Chama-se Simão Makazu e foi denunciado recentemente pelos seus principais colaboradores de ter desviado mais de três milhões de kwanzas para investir num negócio de gado na província do Uíge, sua terra natal. A coligação CASA-CE, de que o partido faz parte, teria suspendido os subsídios.

Em entrevista, ontem, a OPAÍS, reagindo às denúncias, o político disse ser tudo falso, informando que o partido que dirige tem os seus relatórios financeiros em ordem e desafia os denunciantes a provarem as acusações. 

Os denunciantes afirmaram que, devido aos alegados desvios constantes de subsídios atribuídos ao PDP-ANA pela coligação, a direcção da CASA-CE suspendeu este direito, até indicações contrárias. 

Simão Makazu explicou que a CASA-CE, de que faz parte este partido, não suspendeu os subsídios a que tem direito, por não haver motivos que justifiquem o corte. 

Aliás, os denunciantes remeteram uma carta ao presidente da coligação, André Mendes de Carvalho, e ao Tribunal Constitucional, em que pediam a suspensão da atribuição das verbas, mas sem sucesso. 

“Felizmente, o Tribunal Constitucional e a direcção da coligação deram razão a mim, por não terem sido provadas todas as acusações”, disse, Simão Makazu. 

Reforçou que o partido continua a receber os seus subsídios trimestralmente, no valor de 8 milhões e 49 mil kwanzas, montante com que tem sido possível resolver as questões internas do partido.  

Processo disciplinar  

O entrevistado acusou o antigo secretário- geral do partido que dirige,  Jissola  Mamona, o secretário nacional da Juventude, Constantino Francisco, e o militante Mampinga Mbala, de terem  encetado uma campanha de calúnia e difamação contra si, desde 2018, nas redes sociais, com fins   inconfessos. 

Avançou que face às acusações, lhes foi instaurado um processo disciplinar que corre os seus trâmites no gabinete de disciplina e auditoria do partido, cujos resultados serão oportunamente anunciados. 

Simão Makazu apontou ainda que estes três membros têm sido os fomentadores de intrigas no partido, realçando que estão mais preocupados com o dinheiro do partido do que em exercer a sua actividade político-partidária. 

O político disse que essa tendência começou a ser notória, desde que a nova direcção, por si liderada, tomou posse, em substituição de Sediangani Mbimbiactual deputado independente à Assembleia Nacional pelo Grupo Parlamentar da UNITA. 

Apoio à família  Mfulumpinga  

O entrevistado deste jornal informou, por outro lado, que a família do falecido líder fundador do Partido Democrático para a Aliança Nacional de Angola (PDP-ANA), Mfulumpinga Nlandu Víctor, tem recebido um subsídio financeiro para suprir as inúmeras dificuldades que enfrenta no seu quotidiano. 

Alertou que tem sido um gesto da direcção do partido, no quadro da sua responsabilidade social, mas que poderá não continuar, por não ser este o objectivo de um partido político.   

“Gostaria de apelar à família do professor Mfulumpinga a participar nas acções do partido para o seu fortalecimento e engrandecimento”, disse. 

Refira-se que Mfulumpinga Nlandu Víctor, fundador deste partido, faleceu a 2 de Julho de 2004, em Luanda, baleado por desconhecidos, em frente à sede do seu partido, depois de ter participado numa reunião do Conselho da República, no Palácio Presidencial da Cidade Alta. 

O PDP-ANA foi fundado no início da década de 1990, logo após à queda do Muro de Berlim, a que se seguiram as mudanças democráticas que se operaram na antiga Europa de Leste, cujas repercussões atingiram países africanos. 

Maria Miranda Cassule 

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