Milhares protestam contra despedimentos da Renault em França

Fabricante anunciou um plano que envolve o corte de 15 mil empregos em todo o mundo, buscando uma economia de mais de USD 2,2 mil milhões nos próximos três anos

Milhares de pessoas protestaram na manhã deste Sábado (30) em frente à fábrica da Renault em Maubeuge, em França, contra as demissões anunciadas na Sexta-feira (29). Segundo a fabricante, 15 mil postos de trabalho serão cortados, sendo 4.600 em território francês.

Com aproximadamente 2.100 empregados e mil prestadores de serviços, a unidade deverá ter a sua produção transferida para a cidade de Douai, a cerca de 75 km de distância. Actualmente, Maubeuge produz a configuração eléctrica do utilitário Kangoo.

Entre as faixas levantadas pelos manifestantes estavam dizeres como “o Kangoo deve ficar em MCA (sigla para a fábrica da cidade)” e “não toquem na nossa fábrica de MCA”, além de palavras contra o Presidente francês, Emmanuel Macron, e o presidente da Renault, Jean-Dominique Senard.

De acordo com a RFI, o presidente da Renault reunir-se-á na próxima Terça-feira (2) com o Ministério da Economia de França e representantes sindicais.

Plano de recuperação

A Renault anunciou, nesta Sexta-feira, um plano de cortes de custos que envolve, entre outras medidas, a demissão de 15 mil empregados em todo o mundo, o que representa 8% do número total (150 mil). O objectivo é de uma economia de mais de 2 mil milhões de euros nos próximos 3 anos.

Segundo a marca, as demissões não acontecerão de maneira directa e sim por meio de aposentações que não serão substituídas, reciclagem profissional, mobilidade interna e demissões voluntárias.

“Em um contexto repleto de incertezas e complexidade, este plano é vital para garantir uma performance sólida e sustentável, tendo como prioridade a satisfação dos nossos clientes”, disse a presidente executiva interina da Renault, Clotilde Delbos.

Reforço na Aliança

A crise do novo Coronavírus foi outro golpe para o mercado de automóveis, que já estava em crise. Em Abril, as vendas caíram 76,3% em consequência encerramento das concessionárias em muitos países.

Neste contexto, a Renault e seus aliados, Nissan e Mitsubishi Motors, decidiram na Quarta-feira uma mudança de estratégia para privilegiar a rentabilidade, ao invés da corrida para produzir cada vez mais que havia sido aplicada pelo ex-presidente do grupo, Carlos Ghosn.

O objectivo agora é produzir em conjunto quase metade dos modelos das três empresas até 2025.

A Nissan reduzirá em 20% a sua capacidade de produção mundial nos próximo três anos e fechará uma fábrica em Espanha. A japonesa também enxugará sua linha de produtos, passando dos 69 actuais para menos de 55.

Globo

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