Mampuya retrata vivências, a flora e a fauna em mural de pintura

As pinturas feitas pelo artista que retratam as vivências dos angolanos, a fauna e a flora, o realçar da cultura local com os Bakamas, bem como um tributo aos actores do mundo cinematográfico serão ilustradas no muro (da parte traseira) do Candando, em Talatona, com 80 metros de comprimento e seis altura

O artista plástico Guilherme Mampuya está a trabalhar desde a semana passada (25 de Maio), na elaboração de uma pintura mural no muro adjacente ao supermercado Candando, em Talatona, a convite desta instituição comercial, a fim de torná-la mais atractiva.

A superfície, que possui 80 metros de comprimento e seis de largura, será preenchida com desenhos que retratam as vivências dos angolanos, como o dia-a-dia das zungueiras, a flora e a fauna através de espécies como a Welwitcha Mirabilis (planta única, que existe apenas em Angola, no deserto do Namibe) e o rinoceronte.

O artista, que trabalha nesta arte há mais de 20 anos, vai ainda prestar tributo aos ritmos da cultura, com os Bakamas, um dos mais notáveis símbolos culturais também conhecidos por “Zindunga”, que se esquadram numa espécie de religião tradicional de Cabinda, intervêm com exibições em vários eventos, entre cerimónias de empoçamento dos chefes, actos fúnebres, homenagens, consagração, calamidades naturais e agradecimentos.

O mundo cinematográfico será também aqui representado, com ilustrações de profissionais internacionais, entre eles Charles Chaplin (1889-1977), um actor, dançarino, director e produtor inglês, tido como o mais famoso artista cinematográfico da era do cinema mudo, que ficou notabilizado pelas usas mimicas e comédias do género pastelão.

Mampuya, em conversa com OPAÍS, disse que, pela sua diversidade, tanto de desenhos, cores e conteúdos, será muito apreciado pelos cidadãos angolanos e estrangeiros, devido à magnitude do labor, que pretende terminar dentro de um mês. “É um conviver que será respaldado na parede. Recebi o convite por parte da direcção do Candando para fazer o trabalho. Fiz um idêntico na parede do meu atelier e estou agora a trabalhar num espaço maior, que me desafia, mas estou sempre preparado para esses trabalhos ligados à minha arte”, enalteceu.

Materiais

Dada a dimensão do espaço, e, para a conclusão no tempo acordado, Mampuya está a trabalhar com um dos seus colegas, entendedor da arte, que o ajuda a pintura através dos desenhos projectados por si. Para labor é utilizada tinta acrílica, por a considerar ideal para projectos do género, devido à exposição do espaço à luz do sol. As cores que utiliza são as que o caracterizam como pintor, os tons de vivências, relacionadas com o continente “Berço”. Realçou ser uma mistura de cores, com a azul, verde, vermelha, amarela, preto entre outras, conforme usa nas suas variadas obras. Quanto ao tributo ao mundo cinematográfico, disse que se deve ao facto de o espaço estar adjacente à Zap Estúdio.

“Por isso, vamos homenagear também os ‘monstros’ do cinema, por estar defronte a esta empresa televisiva. Começamos na semana passada, o clima está também a ajudar e tudo indica que vamos concluir no tempo marcado. Como o muro fica exposto ao sol, estamos a usar a tinta acrílica, por ser resistente e responde melhor”, explicou.

Outros projectos

As obras para construção do “Museu Colecção Guilherme Mampuya tiveram início no mês passado, no Zango 0, município de Viana. O espaço, com a previsão de ser inaugurado em 2022, para além de preservar as suas obras, tem como objectivo exaltar os nomes de figuras emblemáticas nas artes plásticas no país. “Já começamos a preparar à minha colecção. Continuamos a trabalhar. É um projecto desafiador. Antes mesmo, durante o estado de emergência, tivemos mais tempo para estudar os projectos, e, agora, estamos a avançar”, finalizou.

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